França. Atenção, perigo: as crianças nascidas em 2010 são vítimas de bullying

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21 Setembro 2021

 

Entre o orgulho e a apreensão, eles acabam de chegar à escola, com suas carinhas ainda rosadas e suas mochilas novas. Mas para esses alunos da 6ª série, a volta às aulas teve uma guinada amarga. Na segunda semana, na hora do jantar em família, Marie começou a chorar porque seu irmão mais velho, um aluno do terceiro ano, a chamou de… “2010”. Ela acabou desabafando entre soluços: “Todo mundo nos chama de ‘bollos’ (contração para burguês e galinha, nota do editor) e de ‘cassos’! (contração para casos sociais, nota do tradutor)” Perplexos, os pais tentam entender o motivo. Resposta: “Porque nós nascemos em 2010. Dizem que é um desastre nascer em 2010”. Ficamos sem palavras.



A reportagem é de Stéphanie Combe, publicada por La Vie, 17-09-2021. A tradução é de André Langer.

 

O clipe que acendeu o estopim

 

A origem dessa difamação pode ser encontrada do lado de uma criança influenciadora nascida em 2010, Lily Rose, apresentada por seu irmão Esteban, 18, em seu canal no YouTube Pink Lily, que conta com 440.000 acessos. Em agosto de 2021, seu clipe oficial Pop it Mania teria acendido o estopim. De acordo com os nossos colegas do La Voix du Nord (3 de setembro de 2021): “duas jovens cantam a moda dos pop-It e recitam ‘nascidos em 2010 e já estão em todas as tendências’, que já foi visto mais de 4 milhões de vezes e gerou um ‘bad buzz’ significativo: ela foi apreciada (polegar para cima) por 55.000 internautas e não apreciada (polegar para baixo) por 281.000 deles. Hoje as estatísticas estão em 76.000 e 396.000, respectivamente; os comentários foram desativados.

Em reação, os sarcasmos irrompem. Mas o fenômeno está crescendo nas redes sociais, oficialmente proibidas para menores de 13 anos, a ponto de se tornarem ameaças. No TikTok, nasceu o movimento #Anti2010. Ele reúne vídeos de gozação das roupas dos “nascidos em 2010”, do gosto pelos pop-it, esses jogos de silicone. Aí também são encontradas mensagens ameaçadoras, como “Vamos, bloqueemos todos os 2010” ou “Encontramos o endereço de um 2010”, foto de uma arma Kalashnikov como apoio.

 

Medo diário para ir à escola

 

“Por terem nascido em 2010, muitas crianças de 11 anos são hoje alvo de campanhas de insultos, de assédio e de perseguição cibernética, confirma a FCPE (Federação dos Conselhos de Pais de Alunos), em um comunicado de imprensa divulgado no dia 15 de setembro de 2021. Se os fatos eram marginais desde novembro de 2020, o fenômeno assumiu uma escala totalmente nova desde o início do ano letivo. Ele ultrapassou em larga escala os espaços de recreação ou as altercações à saída das escolas, onde os docentes ainda conseguem identificá-lo e agir. O medo invade seu cotidiano para ir à escola ou voltar para casa”.

A federação solicita uma reação das autoridades públicas e apela ao estabelecimento de “uma vigilância em larga escala, bem como ao desenvolvimento de uma verdadeira política de proteção da infância nas redes sociais”.

O fenômeno põe novamente em causa a proteção dos influenciadores infantis, embora uma lei tenha sido aprovada em outubro de 2020 para regulamentar ainda mais essa prática. Já para essa geração cujo único crime é ter nascido em 2010, a vigilância da equipe educacional e dos pais é necessária.

A Rue de Grenelle [onde está situado o Ministério da Educação Federal] esboçou uma resposta. Uma mensagem de alerta foi enviada no dia 16 de setembro de 2021 para os diretores de escolas e os responsáveis contra o bullying; o ministério acionou o Groupement d'Intérêt Public Action contre la Cybermalveillance (GIP Acyma) para assinalar a hashtag #Anti2010 em todas as plataformas das redes sociais.

Em um vídeo dirigido aos alunos, o ministro da Educação Nacional, Jean-Michel Blanquer, dá as “boas-vindas aos 2010” criando a hashtag correspondente (#BienvenueAux2010). E lembra a existência de números gratuitos para denunciar qualquer incidente: “Não deixe nada passar: disque 3020 para bullying e 3018 para bullying cibernético”.

 

 

 

 

 

 

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