Paulo VI, a lição do “papa hamlético”: nenhuma vingança contra aqueles que o consideravam incômodo

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09 Agosto 2021

 

No dia 6 de agosto de 1978, ou seja, 43 anos atrás, São Paulo VI falecia na residência de verão dos Papas, Castel Gandolfo. O último comunicado da Sala de Imprensa de Santa Sé antes da morte de Montini não prenunciava o fim iminente daquele pontificado que durou 15 anos. Mas, no final da noite daquele dia em que a Igreja Católica celebra a festa da Transfiguração, o coração do Papa parou, causando sério embaraço a toda comunicação do Vaticano da época.

A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 06-08-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

Uma lição sempre atual para os comunicadores, especialmente os eclesiais, de ontem e de hoje. Uma página realmente dramática para aqueles que eram chamados na época a dirigir a mídia vaticana. Aqueles meios de comunicação que, precisamente sob o pontificado de Montini, os padres conciliares haviam definido "maravilhosas invenções técnicas" no primeiro documento do Vaticano II, o decreto Inter mirifica.

No entanto, precisamente durante o reinado de Montini, a comunicação da Santa Sé havia clamorosamente falhado. Isso havia sido visto, de forma inclusive bastante desajeitada, em 1968, quando São Paulo VI publicou sua última encíclica, Humanae vitae. Um texto muito contestado porque o Papa, numa escolha totalmente autônoma e até solitária, fechou as portas a todo tipo de contracepção.

 

Paulo VI com Oscar Romero (Foto: Diocese de San Salvador)

 

Quem liderava as fileiras da comunicação do Vaticano não soube defendê-lo. Talvez não tenha conseguido diante das numerosas caricaturas que marcaram aquele pontificado: "desolado", "hamlético" ... Talvez não o tenha defendido porque Montini sempre foi um homem muito incômodo e impopular para a Cúria. Antes mesmo de ser eleito Papa, em 1963, após a morte de São João XXIII que profeticamente o havia indicado como seu sucessor, nomeando-o como o primeiro de seus cardeais no consistório de 1958.

Montini, por muito tempo, o precioso braço direito de Pio XII na Secretaria de Estado, era tão indigesto à Cúria que convenceram Pacelli, em 1954, a enviá-lo como arcebispo de Milão. De lá voltou Papa, nove anos depois, não para reparar o exílio a que fora forçado sem nomeação a cardeal para impedi-lo de entrar no conclave que elegeu Roncalli após a morte de Pio XII. Mas porque em Milão, o refinado diplomata Montini acabou se revelando um pastor com cheiro de ovelhas, para usar uma expressão tão cara a Francisco.

Ele não viveu aquele episcopado inesperado como exilado. Ele não o viveu como recluso dentro dos limites da vasta arquidiocese ambrosiana, a maior da Europa. Não o viveu com recriminações pela forma como Pio XII e toda a vingativa Cúria Romana o haviam tratado, preferindo então ao cardeal Domenico Tardini como secretário de Estado do recém-eleito Roncalli. Mas o viveu como pastor e é muito significativa a grande missão de Milão que desempenhou em 1957.

Montini compreendeu que aquela capital econômica e industrial, que justamente naquele período se encontrava em notável expansão, precisava ser reevangelizada. E o fez, sem desanimar, como pastor e não como diplomata. Por esse motivo voltou a Roma como Papa. Milão testou em campo Montini, depois de sua longa e profícua experiência na Secretaria de Estado, e demonstrou sua grandeza pastoral.

Aquela grandeza que ele soube transferir em seu pontificado. Em primeiro lugar, governando com mão firme, prudente e sábia, o Concílio Ecumênico Vaticano II, legado a ele por seu predecessor direto, que corria o risco de naufragar com o risco de novos cismas dentro da Igreja Católica. E então na temporada, certamente não mais fácil, após o Concílio. Até aquele período terrível das Brigadas Vermelhas com o bárbaro assassinato de seu amigo Aldo Moro.

 

Paulo VI na Terra Santa (Foto: Reprodução | ilmessaggero.it)

 

De volta a Roma, Montini não se vingou da Cúria que o havia exilado. Mas, como fino conhecedor daquela realidade que serve ao Papa e não se serve do Papa, soube reformá-la, em 1967, com a ainda hoje insuperável Regimini Ecclesiae universae. Embora substituída por São João Paulo II em 1988 com a Pastor Bonus, a reforma montiniana da Cúria Romana permanece, de fato, um autêntico pilar para todas as futuras modificações normativas do governo central da Igreja.

“Rezo, portanto, ao Senhor - escreveu Montini em seu Pensamento de morte - que me dê a graça de fazer da minha próxima morte um dom de amor à Igreja. Eu poderia dizer que sempre a amei; foi seu amor que me tirou de meu estreito e selvagem egoísmo e me colocou ao seu serviço; e que por ela, não por outra razão, parece-me que vivi. Mas eu gostaria que a Igreja o soubesse; e que eu tivesse a força de dizer-lhe, como uma confidência do coração, que só no extremo momento da vida se tem a coragem de fazer”.

 

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