Equador vira a página, mas as feridas permanecem

Foto: Asamblea Nacional del Ecuador | Flickr cc

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

23 Abril 2021

 

Há poucos dias Guillermo Lasso tornou-se o novo presidente do Equador. A eleição do liberal conservador dá esperança de recuperação no país, onde a pandemia registrou mais de 17.000 mortes. O testemunho da Irmã Elena Salvi, das Pequenas Apóstolas da Escola Cristã de Quito: “Esperamos que o país possa realmente se reerguer”.

A reportagem é de Davide Amato, publicada por Mondo e Missione, 19-04-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Equador reduz a virada à esquerda da política sul-americana, que aumentou nos últimos anos com as vitórias do Alberto Fernández na Argentina, em 2019 e por Luis Arce na Bolívia, em 2020. O novo presidente do Equador, eleito no domingo 11 de abril, é Guillermo Lasso, 65, de orientação liberal e conservadora: ex-banqueiro, é o líder do Partido Creo (Criando Oportunidades) e membro da Opus Dei.

“Lasso declarou que quer assumir a responsabilidade de mudar o país: esperamos que possa cumprir esta promessa, dando uma nova cara ao Equador - afirma a irmã Elena Salvi, 78, missionária das Pequenas Apóstolas da Escola Cristã de Quito -. As dificuldades não faltam, considerando que a pandemia contribuiu para agravar os problemas ligados à delinquência, violência, pobreza, desnutrição, desemprego, corrupção e drogas”.

Com mais de 52% dos votos, Lasso venceu o segundo turno contra o candidato da esquerda, Andrés Arauz (cerca de 47% dos votos), que era apoiado por Rafael Correa, ex-presidente do Equador, no poder de 2007 a 2017. Lasso vai assumir seu mandato a partir do próximo dia 24 de maio: substituirá o social-democrata Lenìn Moreno, no cargo desde 2017. A vitória de Lasso coincidiu com uma derrota substancial do "correísmo", ou seja, a corrente política promovida por Rafael Correa, que, condenado a oito anos de prisão por corrupção, agora vive na Bélgica.

“Os primeiros quatro anos de Correa foram de um bom governo: ele se preocupou com a educação e a saúde. Depois, porém, foi retirando gradativamente essas providências e a situação piorou - continua Irmã Elena, de Bérgamo do Vale do Imagna, no Equador desde 1999 -. A corrupção e a violência cresceram, assim como o tráfico de drogas, enquanto a liberdade de imprensa foi restringida. Recentemente houve uma revolta nas prisões, que provocou a morte de mais de 50 detentos”.

Depois de passar parte de sua missão em Esmeraldas, na costa do Pacífico (1999-2014), e nas comunidades indígenas da cordilheira em Riobamaba (2014-2020), Irmã Elena atua há um ano na periferia noroeste de Quito, onde as Pequenas Apóstolas estão presentes desde 1995.

“Somos cinco irmãs e nos dividimos entre o nosso centro sócio-pastoral e a igreja da Assunção. O bairro La Roldós II Etapa tem estruturas insuficientes e as condições de higiene do bairro são precárias. Entre as iniciativas que iniciamos a favor das necessidades da população local, encontram-se a cantina popular, o serviço pós-escolar para crianças, o curso de alfabetização para adultos e a reabilitação de idosos enfermos”.

A pandemia diminuiu as atividades apostólicas, formativas e caritativas das Pequenas Apóstolas, mas não as deteve. “As pessoas não podem ir à cantina porque criaria aglomerações. Por isso, agimos no sentido de apoiar famílias em dificuldade: distribuímos semanalmente em média 150 sacolas com material de primeira necessidade. E nós também continuamos apoiando os idosos: não recebendo a pensão, ficam entregues à própria sorte e lutam para seguir em frente. Muitas pessoas vivem de empregos informais. Eles precisam sair de casa para ganhar pelo menos os dois dólares cotidianos. E o fizeram também no ano passado, quando o lockdown estava em vigor”.

O Equador é o sexto país da América do Sul em número de infectados e óbitos: mais de 355.000 casos de positividade e mais de 17.000 mortes. “A pandemia está nos provando duramente. E é difícil administrá-la. No ano passado foram trocados três ministros da saúde. Os hospitais estão lotados e alguns pacientes são até colocados no chão. Lembro que na primeira onda, morreria gente na rua. Agora a situação ainda é grave, visto a periculosidade da contagiosa variante brasileira. Máscaras e distanciamento social são medidas obrigatórias. O toque de recolher ainda está em vigor, embora encurtado, enquanto o lockdown foi suspenso. A vacina chegou, mas apenas 1% da população recebeu as duas doses. Esperamos que com o advento do Lasso o país volte a se reerguer”.

 

Leia mais