A economia e o emprego na América Latina. Horizontes de médio prazo pouco favoráveis, segundo a CEPAL

Foto: Petronio Dueñas | Reprodução Youtube

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: Wagner Fernandes de Azevedo | 01 Agosto 2019

A situação econômica da América Latina e do Caribe não aparece com horizontes favoráveis tanto para 2019, quanto a médio prazo. O relatório da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe – CEPAL, da ONU, apresentado na tarde de quarta-feira, 31-07-2019, destaca a insuficiência da economia regional em responder à crise econômica mundial.

Depois da contínua desaceleração no último quinquênio, 2019 não será diferente para a economia regional latino-americana e caribenha. A projeção é que o PIB da região tenha um crescimento quase a metade de 2018: se no ano passado a economia da região cresceu 0,9%, a previsão para este ano é de 0,5%. A América do Sul é a sub-região que tem a pior projeção, em situação de quase estagnação, 0,2%.


Taxa de Variação do PIB na América Latina, 2014-19. Fonte: CEPAL

O relatório da CEPAL busca identificar os desempenhos setoriais das economias regionais. Segundo a comissão, a desaceleração persiste devido ao mau desempenho em investimentos, exportações e a queda do gasto público. A desaceleração que acompanha uma queda no consumo e na produtividade tem como consequência a precarização do mercado de trabalho, gerando o aumento da informalidade e uma taxa desemprego que se aproxima dos 10%. Essa taxa de desemprego, conforme a CEPAL, é a mais baixa desde 2005, o que, no atual contexto econômico, projeta uma deterioração contínua da qualidade do emprego.


Taxa de Variação do PIB na América Latina, por setores da economia, 2014-19. Fonte: CEPAL

Portanto, os Estados latino-americanos, mesmo com suas políticas de ajuste fiscal, seguem arrecadando menos que os gastos e aumentando a dívida pública. O relatório aponta que os bancos centrais não conseguem estimular políticas de demanda agregada, atrancados pela desvalorização cambial e a dependência estrutural de exportação de matérias-primas.

Como resposta à baixa arrecadação, a CEPAL sugere a necessidade de impulsionar impostos à economia digital – medida semelhante a anunciada por Macron, recentemente na França –, de proteção ao meio-ambiente e relacionado à saúde pública, realinhando esses ganhos fiscais para a produção.

Na análise estrutural, a Comissão faz um recorrido do sistema financeiro mundial a partir de 2008, considerando suas mudanças a partir da perspectiva da região. Constatou-se a intensificação dos níveis de concentração de capital e prociclicidade – isso, alternância de aumentos e contrações de crédito pelos bancos, que, segundo a CEPAL, tornam o cenário de investimento produtivo incerto, desacelerando o crescimento e impactando negativamente no mercado de trabalho. O endividamento global cresceu generalizadamente, em nível recorde, a 320% do PIB. A projeção de crescimento mundial também é de desaceleração: 2,6%, enquanto em 2018 o crescimento foi de 3%. As grandes potências mundiais, EUA, China e a União Europeia compõem o mesmo cenário: economias ainda crescentes – sobretudo a chinesa –, mas cada vez menos.


Projeção de crescimento do PIB nos 33 países da América Latina e Caribe, 2019 . Fonte: CEPAL

Leia mais