Papa: o mundo precisa de uma 'conversão ecológica' para promover a sustentabilidade

Foto: Unsplash

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

13 Março 2019

Não é possível alcançar o desenvolvimento sustentável sem as vozes de quem é afetado pela exploração dos recursos, principalmente os pobres, os imigrantes, os indígenas e os jovens, disse o Papa Francisco aos participantes de uma conferência do Vaticano sobre desenvolvimento sustentável.

A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada por Catholic News Service, 12-03-2019. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Sem uma mudança de atitude que se concentre no bem-estar do planeta e seus habitantes, os esforços para alcançar as metas de desenvolvimento sustentável da ONU não serão "suficientes para uma ordem mundial justa e sustentável", disse o Papa, no dia 8 de março.

"São João Paulo II já comentou a necessidade de 'incentivar e apoiar a conversão ecológica'", observou.

"As religiões têm um papel fundamental a desempenhar". "Para mudar na direção de um futuro sustentável corretamente, precisamos reconhecer nossos erros, pecados, faltas e falhas, o que leva a um sincero arrependimento e desejo de mudança. Desta forma, podemos nos reconciliar com os outros, com a criação e com o Criador."

A conferência internacional de três dias "Religions and the Sustainable Development Goals: Listening to the cry of the earth and of the poor" (Religiões e os objetivos do desenvolvimento sustentável: ouvir o grito da Terra e dos pobres) analisou como as religiões podem ajudar o mundo a atingir as metas até 2030.

A conferência, que aconteceu de 7 a 9 de março e foi organizada conjuntamente pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, reuniu líderes de todas as principais religiões, bem como defensores e especialistas nas áreas de desenvolvimento, meio-ambiente e saúde.

Dando as boas-vindas aos participantes, o Papa elogiou o objetivo da conferência de incluir a voz de diferentes tradições religiosas, bem como a católica, para contribuírem com "novos caminhos de desenvolvimento construtivo".

Segundo ele, o desenvolvimento é "um conceito complexo quase totalmente limitado ao crescimento econômico”, levando o mundo por um “caminho perigoso, em que o progresso é avaliado apenas em termos de crescimento material".

Nesse caminho, muitos "têm explorado o ambiente e outros seres humanos de forma irracional", acrescentou.

"Precisamos nos comprometer a promover e implementar os objetivos de desenvolvimento apoiados pelos nossos mais profundos valores religiosos e éticos", disse o Papa. "O desenvolvimento humano não é apenas uma questão econômica ou apenas dos especialistas: é, em última instância, uma vocação, um chamado que requer uma resposta livre e responsável."

Francisco também demonstrou esperança de que a conferência possa levar a soluções concretas que respondam ao "grito da Terra e dos pobres”, promovendo compromissos sérios "que se desenvolvam em conjunto com a nossa irmã Terra e nunca contra ela".

"Se estamos mesmo preocupados com o desenvolvimento de uma ecologia capaz de reparar os danos que causamos”, disse o Papa, "nenhum ramo da ciência ou forma de sabedoria deve ser negligenciada, e isso inclui as religiões e suas linguagens particulares".

Leia mais