“A fé e a religião não são um espetáculo, mas Deus que age nos corações”

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07 Março 2018

Na Quaresma, a Igreja reflete sobre a conversão das obras e dos sentimentos. Portanto, do estilo de vida, começando pelo modo de pensar. O Papa Francisco enfatizou que a religião e a fé não são “um espetáculo, mas a Palavra de Deus que age nos corações”; e exortou a pensar, viver e agir de acordo com o Espírito do Senhor, e não “do grupinho ou da classe social ou do partido político” ao qual se pertence. Ele fez essa afirmação na missa matutina de hoje, 5 de março de 2018, na capela da Casa Santa Marta, de acordo com o Vatican News.

A reportagem é publicada por Vatican Insider, 05-03-2018. A tradução é de André Langer.

O pontífice refletiu, em sua homilia, sobre a Primeira Leitura, que hoje conta a história de Naamã, o sírio, e o Evangelho de São Lucas, em que Jesus explica que nenhum profeta é aceito em sua própria pátria.

“A Igreja nos diz que devemos converter nossas obras e nos fala do jejum, da esmola e da penitência: é uma conversão das obras. Fazer novas obras, trabalhar com estilo cristão, esse estilo que vem das bem-aventuranças, de Mateus 25: fazer isso. Além disso, a Igreja nos fala sobre a conversão dos sentimentos, já que também devemos converter os sentimentos. Pensemos, por exemplo, na parábola do bom samaritano: converter-se à compaixão. Sentimentos cristãos. Conversão das obras; conversão dos sentimentos. E hoje nos fala da ‘conversão do pensamento’: não do que pensamos, mas de como pensamos, do estilo do pensamento. Penso com um estilo cristão ou com um estilo pagão? Esta é a mensagem que hoje a Igreja nos dá”.

No que diz respeito ao episódio de Naamã, o sírio, que sofre de lepra, o Papa recordou que “ele vai se encontrar com Eliseu para ser curado”, que o aconselha a se banhar sete vezes no rio Jordão. Mas ele pensa, em vez disso, que os rios de Damasco são melhores que as águas de Israel. “Ele fica zangado, irritado e vai embora sem fazê-lo” – recordou Francisco –, porque “esse homem esperava um espetáculo”. Mas o estilo de Deus – acrescentou o Pontífice – é outro: “Ele cura de outro modo”.

O Papa Bergoglio afirmou que o mesmo acontece com Jesus quando retorna a Nazaré e entra na sinagoga. Inicialmente, “as pessoas olhavam para ele”, “estavam maravilhadas”, “estavam felizes”.

“Mas nunca falta um charlatão, que começa a dizer: ‘Mas este, este é o filho do carpinteiro. O que ele nos ensina? Em que universidade ele estudou? Sim! Ele é o filho de José’. E começaram a trocar opiniões; e a atitude das pessoas começa a mudar, e logo já querem matá-lo. Da admiração, do estupor, ao desejo de matá-lo. Também eles queriam um espetáculo. ‘Mas, que faça milagres, como dizem que fez na Galileia, e nós vamos acreditar nele’. E Jesus explica: ‘Em verdade, em verdade eu vos digo: nenhum profeta é bem aceito em sua pátria’. Porque relutamos em dizer que qualquer um de nós pode nos corrigir. Precisa vir alguém com um espetáculo, para nos corrigir. E a religião não é um espetáculo. A fé não é um espetáculo: é a Palavra de Deus e o Espírito Santo que trabalha nos corações”.

De modo que Francisco reafirmou que a Igreja nos convida a mudar o modo de pensar, o estilo de pensar. Podemos rezar “todo o Credo, seguir também todos os dogmas da Igreja”, mas se não o fizermos “com o espírito cristão”, não serve “para nada”.

“A conversão do pensamento. Não é costume pensar desse modo. Não é habitual. Também o modo de pensar, o modo de crer, deve ser convertido. Podemos fazer a pergunta: ‘Com que espírito eu penso? Com o espírito do Senhor ou com o meu próprio espírito? O espírito da comunidade a que pertenço ou do grupinho ou da classe social de que faço parte, ou do partido político a que pertenço? Com que espírito eu penso?’ E ver se realmente eu penso com o espírito de Deus. E pedir a graça de discernir quando penso com o espírito do mundo e quando penso com o espírito de Deus. E pedir a graça da conversão do pensamento”.

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