Número de votos em branco, nulos e abstenções dispara em Porto Alegre

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03 Outubro 2016

As urnas revelaram um crescimento vertiginoso no número de votos em branco, nulos e de abstenções em Porto Alegre, em um sinal de insatisfação popular com a classe política. A quantidade de votantes que se recusaram a escolher um candidato chegou a 382,5 mil eleitores — cifra mais alta do que a alcançada pelo primeiro colocado, Nelson Marchezan, que contabilizou 213,6 mil votos.

A reportagem é de Marcelo Gonzatto, publicada por Zero Hora, 03-10-2016.

Isso representa 34,8% do eleitorado. A soma de brancos e nulos disparou 69% em comparação com a eleição de 2012. Na primeira rodada de votação de quatro anos atrás, 9,4% dos eleitores anularam o voto ou abdicaram de indicar um nome para governar a cidade. Agora, esse percentual (calculado sobre os votos computados, excluídas as abstenções) saltou para 15,9%.

O contingente de pessoas que nem mesmo compareceram à seção eleitoral também cresceu, embora em proporção um pouco menor: somou 18,5% do universo de eleitores há quatro anos e 22,5% agora (salto de 21,6%). Na avaliação do cientista político e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Gustavo Grohmann, a explosão de votos inválidos e de ausentes deve ser interpretada como mais um aviso para os políticos em geral:

— Isso diz que há um número muito grande de pessoas que não se interessam pelo que está aí. A população está dizendo que não vê alternativas ou não se interessa pelas opções existentes.

Para o especialista, as sucessivas denúncias de corrupção veiculadas nos últimos anos ajudaram a ampliar o desgaste entre o povo e seus representantes.

— A corrupção é o que está na pauta da disputa política hoje. Não se debate mais sobre pauta nacionalista ou internacionalista, desenvolvimentismo ou austeridade, mas quem é mais ou menos corrupto. Voltamos ao ponto de avaliar qualidades individuais — observa Grohmann.

O cenário não é muito diferente do registrado em outras importantes capitais. Em São Paulo, os números indicavam 16,6% de brancos ou nulos e 21,8% de abstenção.

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