O retorno do Lacerdismo

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Por: Cesar Sanson | 12 Novembro 2014

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Coletivo Juntos promovem nesta quinta-feira (13) a partir das 17h, no Vão do Masp, na avenida Paulista, a “Marcha Popular pelas Reformas, contra a Direita, por mais Direitos!”. Para o cientista político Francisco Fonseca, são os movimentos sociais, organizados de baixo para cima, que têm legitimidade para defender as instituições democráticas e lutar por direitos sociais e de cidadania.

O pedido de recontagem de votos por parte do PSDB, as manifestações que reivindicam a volta da ditadura e o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), a violência contra militantes de esquerda e a esforço golpista por parte da grande mídia, em especial da revista Veja, são componentes de um quadro que cheira ao passado, na opinião do cientista político. “Um passado do qual não temos a menor saudade” e que, na opinião do professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), se "assemelha ao Lacerdismo."

A reportagem é publicada por Rede Brasil Atual - RBA, 11-11-2014.

O Lacerdismo faz referência ao líder político da antiga União Democrática Nacional, partido que, de democrático, não tinha nada, pois, na década de 50, a cada derrota nas urnas, a UDN, batia às portas dos militares, tentando impedir a eleição de Getúlio Vargas, por exemplo, e foi um dos incentivadores do golpe do 1964, que instalou uma ditadura civil-militar que vigorou por 21 anos.

Para Francisco Fonseca, nas últimas eleições, o PSDB incorpora e ressuscita o discurso da UDN, quando o candidato Aécio Neves utiliza na campanha a expressão ‘mar de lama’, cunhada por Carlos Lacerda e, ao se prestar ao papel de porta-vozes de determinados grupos de elite e da classe média que se insurgem contra as mudanças promovidas pela mobilidade social ocorrida nos últimos anos, como a democratização do acesso a espaços públicos, de aeroportos às universidades.

O professor analisa que o PSDB é um partido que teve origem nas classes médias urbanas, moderno, fundado em princípios, mas que “vem fazendo uma trajetória que nega completamente a socialdemocracia, que dá nome ao partido” e que, hoje, “faz uma trajetória da centro-esquerda para a centro-direita e para a direita” e se posiciona contra avanços em direitos sociais, em temas como o aborto ou na proposta de redução de maioridade penal.

Segundo Fonseca, o partido contribui negativamente com a democracia ao estimular tal discurso conservador nos setores de classe média, que não deve ser entendida como conservadora por definição e por não ter um projeto de nação.

O cientista político destaca ainda a necessidade de se promover uma reforma nos meios de comunicação em busca de maior pluralidade e que se reveja o critério de concessão de rádio e televisão, e a distribuição de publicidade oficial para veículos que, abertamente, se manifestam contra a democracia e fomentam "o discurso golpista."

Ele conclui retomando a necessidade de mobilização popular para instituir tais reformas  e resistir ao avanço do discurso conservador: “Tudo isso está presente nesta postura de vencer esse debate público da democracia contra o autoritarismo, dos direitos sociais contra o elitismo. É isso que está em jogo. Se o Brasil, hoje, é uma democracia, essa democracia passa pelos movimentos sociais”, afirma o professor Francisco Fonseca.