Devemos substituir o consumo por uma ecologia humana, pede Parolin na ONU

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Por: André | 26 Setembro 2014

Trata-se de uma questão não meramente científica, econômica e social, mas também ética. “Todos nós temos a responsabilidade de proteger a Criação pelo bem desta e das gerações futuras”. A afirmação é do secretário de Estado vaticano, o cardeal Pietro Parolin e feita durante o Climate Summit 2014, organizado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

 
Fonte: http://bit.ly/1mSzmry  

A reportagem é de Domenico Agasso Jr e publicada no sítio Vatican Insider, 24-09-2014. A tradução é de André Langer.

Recordando que o Papa Francisco vem insistindo no respeito ao ambiente desde o início do seu pontificado, Palorin indicou que “a mudança climática levanta não apenas considerações científicas, ambientais e socioeconômicas, mas também, e principalmente, éticas e morais, porque afeta a todos, em particular os mais pobres dentre nós, que estão mais expostos”.

A mudança climática é um “problema grave”, que tem consequências entre os mais vulneráveis e, sobretudo, terá consequências “nas futuras gerações”.

Parolin insistiu em que a ausência de uma ação nesta frente poderá implicar “grandes riscos e custos socioeconômicos”.

É preciso “difundir uma educação para a responsabilidade ambiental que defenda as condições morais para uma autêntica ecologia humana; falar de redução das emissões é inútil se não estamos prontos para mudar o nosso estilo de vida e os atuais modelos de consumo e de produção”, advertiu o cardeal.

Parolin levou as saudações do Papa para o encontro internacional e recordou que “o Vaticano insistiu frequentemente nesse imperativo moral à ação, que apela a cada um de nós sobre a nossa responsabilidade na defesa e valorização da Criação pelo bem da geração presente e das futuras”.

A comunidade internacional deve exercer “um grande empenho político-econômico”, sem esquecer que “toda a comunidade mundial faz parte de uma única e interdependente família humana: as decisões e os comportamentos de um dos membros desta família têm profundas consequências sobre os demais comportamentos. Não há fronteiras, barreiras, muros políticos – advertiu Parolin – dentro dos quais se possa esconder, proteger um membro, em relação aos demais, dos efeitos do aquecimento global”.

O secretário de Estado citou as palavras que o Papa escreveu em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium e insistiu, com relação à defesa do meio ambiente e do clima, que “não há lugar para a globalização da indiferença, para a economia da exclusão, para a cultura do descarte. No processo que tem como objetivo enfrentar o aquecimento climático – disse – vimos muitas vezes prevalecer interesses particulares sobre o bem comum. É necessário colocar em prática uma resposta coletiva, que se baseia na cultura da solidariedade, do encontro e do diálogo que deveria ser o fundamento das interações normais dentro de qualquer família e que exige a absoluta, responsável e comprometida colaboração de todos”.

Parolin destacou que os Estados “têm a comum responsabilidade de proteger o clima mundial por meio de ações de mitigação, adaptação e intercâmbio de tecnologia e know-how. Mas, sobretudo, têm – observou – a responsabilidade comum de proteger o nosso Planeta e a família humana, assegurando à geração presente e às gerações futuras a possibilidade de viver em um ambiente seguro e digno”.

O Vaticano, recordou o cardeal, indicou “dois objetivos relacionados entre si: combater a pobreza e atenuar os efeitos da mudança climática. As forças do mercado, sozinhas, sobretudo se carecem de uma adequada orientação ética – denunciou Parolin –, não podem resolver as crises interdependentes do aquecimento global, da pobreza e da exclusão. O maior desafio está na esfera dos valores humanos e da dignidade dos indivíduos e dos povos, que não podem ser reduzidos a meros problemas técnicos. O aquecimento global – concluiu – converte-se assim em uma questão de justiça, de respeito e de equidade, que interpela as consciências de cada um de nós”.