''Caro Bergoglio, caro Scalfari, isso não nos diz respeito''. Artigo de Elisabetta Addis

Mais Lidos

  • Vozes e rostos através do espelho da IA: a comunicação digital segundo Leão XIV. Artigo de Moisés Sbardelotto

    LER MAIS
  • Ascendendo com Ele. Breve reflexão para cristãos ou não. Comentário de Chico Alencar

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: O chamado da Vida para além das armadilhas do capitalismo. Artigo de Rosemary Fernandes

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Setembro 2013

Talvez, o diálogo de Bergoglio e Scalfari não diga mais respeito a nós, homens e mulheres da contemporaneidade, mas sim a um poder e a um mundo masculinos que estão no passado, e que são do passado.

A opinião é da economista italiana Elisabetta Addis, professora da Universidade de Sassari e da Libera Università Internazionale degli Studi Sociali Guido Carli de Roma. O artigo foi publicado no sítio HuffingtonPost.it, 12-09-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Sim. Bonita carta, Bergoglio. Mas não diz respeito a mim. De fato, ela diz respeito à "relação que Ele (Jesus) tem com Deus que é Abbá e, nessa luz, à relação que ele tem com todos os outros homens". E eu sou uma mulher.

"Nele, todos somos chamados a ser filhos", e eu, no máximo, posso ser uma filha, "irmãos entre nós", mas de irmãs não se sente o cheiro. E ainda que "o amor e a misericórdia de Deus chegam a todos os homens", Mas não às mulheres.

Ao menos há 30 anos estamos pedindo o elementar respeito de que se use uma linguagem que nos inclua, uma linguagem não sexista. E, já que custa bem pouco, na época dos processadores de texto, substituir "homem" por "ser humano" e "homens" por "homens e mulheres", eu interpreto que há uma clara vontade, por parte de um velho homem à frente de uma hierarquia de homens apenas, de me fazer entender que não é a mim que ele se dirige.

E, falando francamente, o La Repubblica também não nos dá uma boa imagem. No dia seguinte, faz com que a carta do papa seja comentada pelo homem Scalfari e por outros seis homens, todos em fila (Küng, Veronesi, Bianchi, Cacciari, Forte e Di Segni), e nenhuma mulher. Murgia, não? Perroni? Bocchetti? Cavarero? Não nos faltam teólogas e filósofas! Paciência. Não nos diz respeito. Vê-se justamente que a nós, mulheres, não diz respeito.

Além disso, que a verdade encontra-se na relação, as filósofas disseram isso bem antes de Francisco, não esperaram o seu imprimatur. E, sem as relações com as mulheres, entre homens e mulheres, a verdade de Bergoglio e de Scalfari permanecerá incompleta. Uma verdade célibe e infecunda.

Talvez, esse diálogo não diga mais respeito a nós, homens e mulheres da contemporaneidade, mas sim a um poder e a um mundo masculinos que estão no passado, e que são do passado. Sigamos em frente, temos muitíssimas coisas mais interessantes para fazer e pensar.