O povoado que fala a língua de Jesus é atacado pelos rebeldes da Al Qaeda

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Por: André | 07 Setembro 2013

É o último povoado do mundo ao qual Jesus poderia voltar a pregar na língua em que falava há mais de 2.000 anos. Encontra-se no coração da Síria cristã, a 60 quilômetros ao norte de Damasco e a poucos quilômetros da fronteira libanesa. Situado a 1.500 metros de altitude, protegido por uma montanha, até agora Malula se havia salvo dos embates da guerra civil que está destroçando o país. Desde a quarta-feira passada está sob ataque.

 
Fonte: http://bit.ly/17FeyFn  

A reportagem é de Giordano Stabile e publicada no sítio Vatican Insider, 06-09-2013. A tradução é de André Langer.

Uma brigada de insurgência da frente jihadista da Al Nusra (os amigos da Al Qaeda na região) atacaram um posto policial na entrada da aldeia. Do alto, chovem projéteis de morteiro. A patrulha de soldados regulares que vigia o check-point da rua que sobe até o centro já não existe. Um camicase se imolou com seu carro e oito militares perderam a vida no ataque. Dois velhos tanques e um veículo blindado também foram destruídos pelos milicianos.

Mais de três mil habitantes, sobretudo cristãos ortodoxos, estão completamente sozinhos para se defenderem. Idosos e crianças se refugiaram nos dois pequenos e antiquíssimos mosteiros de Mar Sarkis (São Sérgio) e Mar Taqla (Santa Tecla). Com um telefone satelital, uma monja de Mar Taqla conseguiu falar com o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, vinculado à oposição, laica, contrária ao regime de Bashar al Assad. “Levamos as crianças, 27 órfãos abandonados, para os porões – indicou –, para protegê-los e para que não se assustem com os morteiros”. A monja não revelou sua identidade porque teme represálias.

Não fica claro quem são os que ainda se opõem aos jihadistas, que na quinta-feira deixaram o posto com reforços e munições. Nas montanhas que cercam o centro ainda há soldados regulares e que teriam rechaçado os extremistas que atacaram uma Igreja e uma mesquita. Mas em muitas localidades de maioria cristã nasceram grupos de autodefesa. Provavelmente é o que acontece em Malula, onde ainda hoje se fala uma forma de aramaico, língua bíblica que, segundo a maior parte dos historiadores, era a língua de Jesus.

Os dois conventos, patrimônio da Unesco, construídos no século IV, quando a região fazia parte do Império Romano, aderiram ao jejum mundial pela paz, lançado pelo Papa. Os santuários estão dedicados a um soldado romano assassinado porque se havia convertido e a uma discípula de São Paulo salva, segunda a lenda, pela montanha de Malula, que se abriu para lhe oferecer um esconderijo. Com os ataques, os habitantes esperam outro milagre.