Deus ama as pessoas ''como uma mãe'', afirma Francisco

Mais Lidos

  • Governo Trump retira US$ 11 mi de doações de instituições de caridade católicas após ataque a Leão XIV. Artigo de Christopher Hale

    LER MAIS
  • Procurador da República do MPF em Manaus explica irregularidades e disputas envolvidas no projeto da empresa canadense de fertilizantes, Brazil Potash, em terras indígenas na Amazônia

    Projeto Autazes: “Os Mura não aprovaram nada”. Entrevista especial com Fernando Merloto Soave

    LER MAIS
  • Para o sociólogo, o cenário eleitoral é moldado por um eleitorado exausto, onde o medo e o afeto superam os projetos de nação, enquanto a religiosidade redesenha o mapa do poder

    Brasil, um país suspenso entre a memória do caos e a paralisia das escolhas cansadas. Entrevista especial com Paulo Baía

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

11 Junho 2013

A "compaixão" que Deus sente pela "miséria humana" é comparável à reação de uma mãe "diante da dor dos filhos". "Assim Deus nos ama", disse o Papa Francisco no último domingo de manhã na recitação do Angelus, nos ama "como uma mãe".

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 10-06-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Palavras que lembram muito a discutida afirmação de João Paulo I, nascido Albino Luciani – o pontífice que, não por acaso, lembra muito nos modos e nos estilos Jorge Mario Bergoglio –, no Angelus do dia 10 de setembro de 1978, quando, falando de improviso, disse que Deus "é pai, mais ainda, é mãe".

E também João Paulo II, mais tarde, em ao menos algumas ocasiões, falou sobre a paternidade de Deus, que "resume em si as características que normalmente são atribuídas ao amor materno" (audiência do dia 20 de janeiro de 1999) e atribuiu a Deus "mãos do pai e de mãe ao mesmo tempo" (audiência do dia 8 de setembro  de 1999).

Quando Luciani, primeiro entre os sucessores de Pedro, aproximou o arquétipo feminino à qualidade absoluta divina, a Cúria Romana não reagiu bem. Gelo e constrangimento caíram sobre o sucessor de Paulo VI que, em pouco tempo, depois de apenas 30 dias no sólio de Pedro, desapareceria. Talvez, no Vaticano, temiam-se repercussões na lógica dos poderes e das posições hierárquicas.

No entanto, os profetas do Antigo Testamento já costumavam falar do amor materno de Deus: "Pode a mãe se esquecer do seu filho, a ponto de não se comover com o fruto de suas entranhas?", pergunta o profeta Isaías. E ainda: "Assim como uma mãe consola o filho, assim eu vos consolarei".

Depois foi Martinho Lutero, no sermão Christus, gallina nostra, que chamou a atenção para uma "escandalosa" identificação. A de Jesus que, no Evangelho de Mateus, define a si mesmo como "uma galinha que reúne os seus pintinhos debaixo das asas".

Além disso, o rosto "feminino" de Deus se encarnou justamente no "discipulado de iguais" inaugurado pela pregação de Jesus, por força da qual, como se lê em Gálatas, "não há mais homem nem mulher, pois todos você são um em Cristo Jesus".

Bento XVI, no entanto, foi mais prudente. No seu best-seller Jesus de Nazaré, ele escreve que o título de mãe não cabe a Deus, que é apenas e absolutamente pai. "Mãe não é na Bíblia um título de Deus, não é uma forma com a qual dirigir-se a Deus. Nós rezamos como Jesus, no horizonte da Sagrada Escritura, nos ensinou a rezar, não como nos vem à mente ou nos apetece. Só assim é que rezamos corretamente".