As vidas devastadas que os ricos não veem. Artigo de Ulrich Beck

Mais Lidos

  • Centenas de aeronaves americanas prontas para atacar. Forças russas e chinesas estão realizando exercícios com Teerã

    LER MAIS
  • Pesquisadora e autora do livro Capitalismo Gore, lançado recentemente no Brasil, analisa como a violência contra minorias políticas resulta de um embaralhamento entre patriarcado e lucratividade midiática que transforma líderes extremistas em chefes de estado

    O desafio de transcender o ódio, combustível da extrema-direita, para superar a teocracia midiática. Entrevista especial com Sayak Valencia

    LER MAIS
  • O que é o Conselho da Paz, que será inaugurado amanhã por Donald Trump, e quem participa dele?

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

09 Setembro 2009

"A injustiça social grita por vingança. Na crise da economia mundial, os ricos pagam – no pior dos casos – em valores acionários, enquanto os mais vulneráveis, que justamente não têm nada a ver com a crise, "pagam-na" com a moeda líquida da sua chamada existência. Não são mais "pobres" – o conceito é muito frágil. Falar de "classe" seria um cínico eufemismo."

Zygmunt Bauman as chamou de "wasted lifes", em uma analogia que tem dificuldade para tolerar as montanhas de rejeitos produzidos permanentemente pelo "capitalismo sempre mais veloz e sempre mais belo". Bauman fala das subcidades invisíveis, nas quais esses "wasted humans" vegetam. Já não é um progresso que eles estejam onipresentes nas principais ruas de San Francisco?

Certamente, a coexistência reconciliada entre a pobreza mais desoladora e a riqueza não é nada nova. Mas, na política interna mundial, é uma injustiça que grita por vingança hoje, quando a igualdade social se tornou uma expectativa difundida em todo o mundo, e as crescentes desigualdades não podem ser justificadas como queridas por Deus, nem ser escondidas atrás dos muros dos Estados nacionais. Mas também é um problema moral para mim, para a minha geração, para o sociólogo alemão. Jogamos na cara de nossos pais: "Como puderam!". E hoje? Milhares de cidadãos do mundo norrem nas fronteiras marítimas da União Europeia, milhões de crianças morrem de fome por ano. Mas nós viramos a cabeça para o outro lado. Tudo isso é, ao mesmo tempo, banal, desarmante e profundamente vergonhoso.

(cfr. notícia do dia 09-09-09, desta página).