Tempo para a Criação: o desafio moral da questão ecológica

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18 Setembro 2011

De 1º de setembro a 4 de outubro, as Igrejas europeias, católicas, ortodoxas e protestantes, celebram uma série de manifestações reunidas sob o título "Tempo para a Criação". A iniciativa se repete há anos e pretende testemunhar a sensibilidade ecológica das cristãs e dos cristãos do continente, e o seu compromisso com um desenvolvimento sustentável.

A reportagem é de Fulvio Ferrario, publicada na revista italiana Riforma, das Igrejas evangélicas batistas, metodistas e valdenses, 15-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A consciência de que a questão ecológica constitui um importante desafio moral é recente, mas já está bem consolidada. As razões bíblicas em seu favor são muito sólidas. Deus não confiou a Terra aos seres humanos para que eles a depredassem, mas sim para que a cuidassem. Trata-se de respeitar e de amar o dom de Deus e de sermos responsáveis com relação aos seres humanos. Acima de tudo aqueles que, hoje, são mais empobrecidos, e até exterminados, pela crise ecológica: pense-se apenas na dramática dificuldade, para muitos, de ter acesso ao elemento fundamental da vida, a água. E depois nos nossos filhos e netos, que correm o risco de se encontrar com um planeta inabitável. É uma boa notícia que as Igrejas dirijam essa advertência juntas.

Alguns, no entanto, poderiam observar que as próprias Igrejas não são tão conformes quando a questão ambiental põe em discussão as convicções de cada uma delas. Entre elas, por exemplo, não há acordo sobre a questão da regulação dos nascimentos e da educação à contracepção. Para algumas, como aquelas que falam nesta manifestação, uma atitude responsável sobre a questão demográfica é parte integrante de um sério compromisso ambiental; para outras, isso constitui um atentado contra os mais elementares direitos da pessoa.

Também vale para as Igrejas uma regra geral: os apelos à boa vontade são muito mais confiáveis se quem os dirige também coloca em jogo exatamente as convicções que lhe são caras. A questão ambiental envolve a economia, a cultura, a sensibilidade. Envolve também opiniões morais consolidadas de muitas Igrejas, que deveriam ser, de uma vez por todas, discutidas a fundo e com serenidade. Os nossos apelos também ganhariam com isso.