Tempo para a Criação: o desafio moral da questão ecológica

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Setembro 2011

De 1º de setembro a 4 de outubro, as Igrejas europeias, católicas, ortodoxas e protestantes, celebram uma série de manifestações reunidas sob o título "Tempo para a Criação". A iniciativa se repete há anos e pretende testemunhar a sensibilidade ecológica das cristãs e dos cristãos do continente, e o seu compromisso com um desenvolvimento sustentável.

A reportagem é de Fulvio Ferrario, publicada na revista italiana Riforma, das Igrejas evangélicas batistas, metodistas e valdenses, 15-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A consciência de que a questão ecológica constitui um importante desafio moral é recente, mas já está bem consolidada. As razões bíblicas em seu favor são muito sólidas. Deus não confiou a Terra aos seres humanos para que eles a depredassem, mas sim para que a cuidassem. Trata-se de respeitar e de amar o dom de Deus e de sermos responsáveis com relação aos seres humanos. Acima de tudo aqueles que, hoje, são mais empobrecidos, e até exterminados, pela crise ecológica: pense-se apenas na dramática dificuldade, para muitos, de ter acesso ao elemento fundamental da vida, a água. E depois nos nossos filhos e netos, que correm o risco de se encontrar com um planeta inabitável. É uma boa notícia que as Igrejas dirijam essa advertência juntas.

Alguns, no entanto, poderiam observar que as próprias Igrejas não são tão conformes quando a questão ambiental põe em discussão as convicções de cada uma delas. Entre elas, por exemplo, não há acordo sobre a questão da regulação dos nascimentos e da educação à contracepção. Para algumas, como aquelas que falam nesta manifestação, uma atitude responsável sobre a questão demográfica é parte integrante de um sério compromisso ambiental; para outras, isso constitui um atentado contra os mais elementares direitos da pessoa.

Também vale para as Igrejas uma regra geral: os apelos à boa vontade são muito mais confiáveis se quem os dirige também coloca em jogo exatamente as convicções que lhe são caras. A questão ambiental envolve a economia, a cultura, a sensibilidade. Envolve também opiniões morais consolidadas de muitas Igrejas, que deveriam ser, de uma vez por todas, discutidas a fundo e com serenidade. Os nossos apelos também ganhariam com isso.