Chifre da África: apelo contra a indiferença

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

04 Agosto 2011

O mundo ocidental está preocupado com o destino da economia, mas há quem esteja muito pior. O drama da Somália e de toda a região está no centro das preocupações da Igreja, que apela aos povos e nações para que se intervenha de modo extraordinário.

A reportagem é do sítio Vatican Insider, 04-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dom Antonio Maria Vegliò, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, repetindo o apelo de Bento XVI, não hesita em definir de "indiferença desumana" que continua caracterizando grande parte da humanidade, incapaz de ouvir o grito de dor da África.

"Basta um dólar para salvar uma criança da morte por fome", disse Vegliò ao L`Osservatore Romano, que lança uma proposta concreta para aos leitores do jornal vaticano, e não só: devolver às ajudas para a emergência do Chifre da África o equivalente a uma refeição ou a um dia de trabalho. "Se sairmos para beber ou comer alguma coisa, tentemos também – explica – dar algo, ofereçamos um turno de trabalho pela Somália".

Um compromisso que deveria ser assumido por cada um e cada uma, e que também teria o efeito de sensibilizar os governos. Na verdade, afirma o prelado, "há a necessidade urgente da intervenção real e concreta da comunidade internacional que vise a um desenvolvimento sustentável e que ponha um freio ao aumento generalizado dos preços dos gêneros alimentícios".

A União Europeia, afirmou ainda Dom Vegliò, "deveria desenvolver oportunidades para os refugiados, que são um bem para os diversos países". "Não se pode negar – acrescentou o presidente do Conselho Pontifício – que uma atitude de mair fechamento foi criada com relação aos requerentes de asilo, aos refugiados e aos migrantes, contradizendo a atitude que a Europa havia mostrado durante décadas depois da Segunda Guerra Mundial, quando centenas de milhares de refugiados foram admitidos e integrados na sociedade. Durante aquele tempo, soluções inovadoras haviam sido desenvolvidas e implementadas. A ideia era dar uma esperança e um futuro aos refugiados, fazendo-os sair dos campos de refugiados".

O L`Osservatore regista os dados alarmantes de mortalidade infantil entre os refugiados somalis presentes no Quênia e dos níveis de desnutrição contidos em um novo relatório das Nações Unidas. "O campo de refugiados de Dadaab, que hospeda cerca de 400 mil pessoas, mais de quatro vezes a capacidade prevista – escreve o jornal da Santa Sé – viu a taxa de mortalidade entre crianças menores de cinco anos aumentar de 1,2 morte a cada 1.000 crianças para 1,8", e isso sem levar em conta "outras mortes que podem não ter sido registradas", por terem ocorrido fora das instalações de saúde e dos campos. "Estima-se – conclui o L`Osservatore – que mais de 2,3 milhões de crianças estão desnutridas no Chifre da África, e que mais de meio milhão delas correm o risco de morrer se não tiverem acesso o mais rápido possível às ajudas internacionais".