A felicidade de Jesus

Arte: Carl Bloch

Mais Lidos

  • Em vez de as transformações tecnológicas trazerem mais liberdade aos humanos, colocou-os em uma situação de precarização radical do trabalho e adoecimento psicológico

    Tecnofascismo: do rádio de pilha nazista às redes antissociais, a monstruosa transformação humana. Entrevista especial com Vinício Carrilho Martinez

    LER MAIS
  • Desatai o futuro! Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS
  • Como o dinheiro dos combustíveis fósseis transformou a negação climática na “palavra de Deus”. Artigo de Henrique Cortez

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

30 Outubro 2020

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Mateus 5,1-12, que corresponde à Festa de Todos os Santos, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto.

Não é difícil traçar o perfil de uma pessoa feliz na sociedade que Jesus conhecia. Seria um homem adulto e saudável, casado com uma mulher honesta e fértil, com filhos do sexo masculino e terras ricas, cumpridor da religião e respeitado na sua cidade. O que mais se podia pedir?

Certamente não era este o ideal que animava Jesus. Sem esposa nem filhos, sem terra nem bens, percorrendo a Galileia como um vagabundo, sua vida não respondia a nenhum tipo de felicidade convencional. Seu modo de vida era provocador. Se era feliz, era de forma contracultural, ao contrário do estabelecido.

Na verdade, não pensava muito na Sua felicidade. Sua vida girava mais em torno de um projeto que o entusiasmava e o fazia viver intensamente. Chamava-lhe «reino de Deus». Aparentemente, era feliz quando podia fazer os outros felizes. Sentia-se bem a devolver às pessoas a saúde e a dignidade. Foi bom restaurar as pessoas para a saúde e dignidade que lhes tinha sido arrebatada injustamente.

Não procurava seu próprio interesse. Vivia criando novas condições de felicidade para todos. Não sabia ser feliz sem incluir os outros. A todos propunha critérios novos, mais livres e radicais para criar um mundo mais digno e feliz.

Acreditava num «Deus feliz», o Deus criador que olha para todas as suas criaturas com amor profundo, o Deus amigo da vida e não da morte, mais atento ao sofrimento das pessoas do que aos seus pecados.

A partir da fé nesse Deus, quebrava os esquemas religiosos e sociais. Não pregava: «Felizes os justos e piedosos, pois receberão o prêmio de Deus». Não dizia: «Felizes os ricos e poderosos, porque contam com a sua bênção». O Seu grito era desconcertante para todos: «Felizes os pobres, porque Deus será a sua felicidade».

O convite de Jesus vem dizer assim: «Não procurem a felicidade na satisfação dos vossos interesses ou na prática interesseira da vossa religião. Sejam felizes trabalhando de forma fiel e paciente por um mundo mais feliz para todos».

 

Leia mais