O olhar de Jesus

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20 Julho 2018

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6, 30-34 que corresponde ao 16° Domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

Marcos descreve com todo o detalhe a situação. Jesus dirige-se numa barca com Seus discípulos a um lugar tranquilo e retirado. Quer escutá-los com calma, pois voltaram cansados da sua primeira correria evangelizadora e desejam partilhar a sua experiência com o Profeta que os enviou.

O propósito de Jesus acaba frustrado. As pessoas descobrem sua intenção e adiantam-se correndo pela margem. Quando chegam ao lugar, encontram-se com uma multidão vinda de todas as aldeias em redor. Como reagirá Jesus?

Marcos descreve graficamente a sua atuação: os discípulos devem aprender como tratar as pessoas; nas comunidades cristãs recorda-se como era Jesus com essas pessoas perdidas no anonimato, das que ninguém se preocupa. “Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão, sentiu compaixão deles, pois eram como ovelhas sem pastor, e pôs-se a ensinar muitas coisas.”

A primeira coisa que o evangelista destaca é o olhar de Jesus. Não se irrita por terem interrompido os seus planos. Olha-os demoradamente e comove-se. As pessoas nunca o incomodam. Seu coração intui a desorientação e o abandono em que se encontram os camponeses daquelas aldeias.

Na Igreja temos de aprender a olhar as pessoas como olhava Jesus: captando o sofrimento, a solidão, o desconcerto ou o abandono que sofrem muitos. A compaixão não brota da atenção às normas ou à recordação das nossas obrigações. Desperta-se em nós quando olhamos atentamente os que sofrem.

Desde esse olhar, Jesus descobre a necessidade mais profunda daquelas pessoas: andam “como ovelhas sem pastor”. O ensino que recebem dos letrados da Lei não lhes oferece o alimento de que necessitam. Vivem sem que ninguém cuide realmente delas. Não têm um pastor que as guie e as defenda.

Movido pela Sua compaixão, Jesus “ensina-lhes muitas coisas”. Com calma, sem pressa, dedica-se pacientemente a ensinar-lhes a Boa Nova de Deus. Não o faz por obrigação. Não pensa em si mesmo. Comunica-lhes a Palavra de Deus, comovido pela necessidade que têm de um pastor.

Não podemos permanecer indiferentes ante tanta gente que, dentro das nossas comunidades cristãs, anda a procurar um alimento mais sólido que o que recebe. Não temos de aceitar como normal a desorientação religiosa dentro da Igreja. Temos de reagir de forma lúcida e responsável. Não poucos cristãos procuram ser melhor alimentados. Necessitam de pastores que lhes transmitam a mensagem de Jesus.

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