Por que tanto medo

Fonte: Eugène Delacroix

Mais Lidos

  • Conhecer Jesus. Artigo de Eduardo Hoornaert

    LER MAIS
  • Freira de 82 anos é morta em convento brasileiro

    LER MAIS
  • Para o pesquisador e membro do coletivo Aceleracionismo Amazônico, é necessário repensar radicalmente as possibilidades políticas tributárias de um paradigma prenhe de vícios modernos

    Pensar de modo abolicionista produz uma ética da generosidade. Entrevista especial com Bräulio Marques Rodrigues

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

22 Junho 2018

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 4, 35-41 que corresponde ao 12° Domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

A barca em que vai Jesus e os Seus discípulos vê-se presa por uma daquelas tormentas imprevistas e furiosas que se levantam no lago da Galileia ao entardecer de alguns dias de calor. Marcos descreve o episódio para despertar a fé das comunidades cristãs, que vivem momentos difíceis.

O relato não é uma história tranquilizadora para consolar a nós cristãos de hoje com a promessa de uma proteção divina que permita à Igreja passear tranquila através da história. É a chamada decisiva de Jesus para fazer com Ele a travessia em tempos difíceis: «Por que sois tão covardes?”. Ainda não tendes fé?».

Marcos prepara a cena desde o início. Diz-nos que era «ao cair da tarde». Rapidamente caíram as trevas da noite sobre o lago. É Jesus quem toma a iniciativa daquela estranha travessia: «Vamos para a outra margem». A expressão não é nada inocente. Convida-os a passar juntos, na mesma barca, para outro mundo, mais além do conhecido: a região pagã da Decápolis.

De repente levanta-se uma forte tormenta, e as ondas batem contra a frágil embarcação, inundando-a. A cena é patética: na parte dianteira, os discípulos lutando impotentes contra a tempestade; na popa, num lugar mais elevado, Jesus dormindo tranquilamente sobre uma cabeceira.

Aterrorizados, os discípulos despertam Jesus. Não captam a confiança de Jesus no Pai. A única coisa que veem Nele é uma incrível falta de interesse por eles. Estão cheios de medo e nervosismo: «Mestre, não te importa que pereçamos?».

Jesus não se justifica. Coloca-se de pé e pronuncia uma espécie de exorcismo: o vento cessa de rugir e faz-se uma grande calma. Jesus aproveita essa paz e silêncio grandes para fazer-lhes duas perguntas que hoje chegam até nós: «Por que sois tão covardes? Ainda não tendes fé?».

O que está acontecendo com nós cristãos? Por que são tantos os nossos medos para afrontar este tempo crucial e tão pouca a nossa confiança em Jesus? Não é o medo de afundar que nos está bloqueando? Não é a busca cega de segurança que nos impede de fazer uma leitura mais lúcida, responsável e confiada destes tempos?

Por que resistimos a ver que Deus está conduzindo a Igreja até um futuro mais fiel a Jesus e ao Seu Evangelho? Por que procuramos segurança no conhecido e estabelecido no passado, e não escutamos a chamada de Jesus a «passar para a outra margem» para semear humildemente a Sua Boa Nova num mundo indiferente a Deus, mas tão necessitado de esperança?

Leia mais