A capela da casa de Pedro Casaldáliga em São Félix do Araguaia

Capela de Pedro Casaldáliga, desenhada por Maximino Cerezo (Fonte: Religión Digital)

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

02 Agosto 2017

Os encontros de oração da comunidade que vivia na casa de Pedro – seu ‘palácio’ episcopal! -, em São Félix, aconteciam ao ar livre, sempre que o tempo permitia, em uma parte do quintal, à sombra de uma bela árvore e ao lado de uma tábua na qual alguém talhou a frase ‘Eu sou o pão da vida!’. Eu a incorporei no projeto da nova capela aberta, colocando-a em um dos pilares de tijolo. Era uma relíquia.

O relato é de Maximino Cerezo, sacerdote católico, religioso claretiano e artista plástico espanhol, em artigo publicado por Religión Digital, 01-08-2017. A tradução é do Cepat.

Em algumas de minhas visitas a Pedro, surgiu a ideia de fazer uma capela no quintal, mas que necessariamente estivesse aberta às árvores, aos vizinhos, ao sol e à sombra. Tracejei a ideia, à mão livre, em um dos envelopes das revistas que Pedro recebia. Um esboço com as dimensões, detalhes construtivos e o desenho fundamental, a partir do qual Pedro Solá, que foi claretiano e um dos primeiros companheiros de Pedro no Brasil, começou a trabalhar. Como mestre de obras, devem-se a ele muitas das igrejas que foram construídas na Prelazia, em seus primeiros anos. Também a catedral de São Félix.

Esta capela aberta da casa de Pedro é uma das obras pela qual me sinto feliz. Capela que se mantém até hoje. Lugar de oração, de celebração da eucaristia diária entre o barulho das folhas das árvores, o canto dos galos dos vizinhos e o indolente passeio dos gatos que rondam por ali. Lugar de encontro semanal com os agentes de pastorais mais próximos; e também, ali, foram gravadas muitas das entrevistas concedidas por Pedro a jornalistas provenientes de muitas partes do mundo.

Com o tempo, acrescentei algumas coisas: a pintura do sacrário, a frente do altar e a placa de alumínio em relevo – sobre um pedaço que recortei de uma velha geladeira resgatada de um lixão da cidade -, que serve de fundo à caixa das relíquias dos mártires: um pedaço da casula ensanguentada do arcebispo Romero e um fragmento do crânio de Ignacio Ellacuría. Há também recortes de fotos de dom Romero, de dom Angelelli, do padre João Bosco, de Rodolfo Lunkenbein, de Francisco Jentel e dos estudantes claretianos mártires de Barbastro.

Durante muitos anos, esteve sobre o pequeno altar a terracota de uma pomba da paz, que levei de Ica, Peru, para Pedro. Obra de um camponês que havia sido torturado pelas forças de segurança do país e que foi libertado graças às denúncias e providências da Comissão de Direitos Humanos da região.

Leia mais