Cimento demais consome a humanidade

Mais Lidos

  • Somos todos aspirantes a cristãos. Entrevista com Paolo Ricca

    LER MAIS
  • “O mundo da educação foi sobrecarregado e perturbado pelo surgimento do ChatGPT”. Discurso do cardeal José Tolentino de Mendonça

    LER MAIS
  • Cúpula vaticana sobre abusos, cinco anos depois. Artigo de Massimo Faggioli

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


Revista ihu on-line

Zooliteratura. A virada animal e vegetal contra o antropocentrismo

Edição: 552

Leia mais

Modernismos. A fratura entre a modernidade artística e social no Brasil

Edição: 551

Leia mais

Metaverso. A experiência humana sob outros horizontes

Edição: 550

Leia mais

29 Junho 2017

“Eu não pretendo ser mensageiro nem profeta”, explicou, anos atrás, Mario Rigoni Stern, “eu só digo que o nosso modo de vida é equivocado, o mundo em que vivemos é feito para consumir, e o consumo também consome a natureza. Consumindo a natureza, consumimos o ser humano: consumimos a humanidade.” Passou quase uma década desde que esse grande escritor nos deixou, ele que tinha uma relação especial com o bosque atrás de casa, as perdizes e toda a natureza. A sua lição, porém, como confirma o último relatório do Instituto Superior para a Proteção e a Pesquisa Ambiental (Ispra, na sigla em italiano), está intacta. Ou, melhor, o ambiente está em condições cada vez mais precárias.

A reportagem é de Gian Antonio Stella, publicada por Corriere della Sera, 28-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O Ispra explica que, de novembro de 2015 a maio de 2016, a Itália teria consumido (em seis meses!) mais de 5.000 hectares de território. Para que nos entendamos: três metros quadrados por segundo. Quase 260.000 por dia.

Entre as regiões mais ávidas de cimento, resume a agência Ansa, estão “a Lombardia (648 hectares de novas superfícies artificiais), a Sicília (585 hectares) e o Vêneto (563)”. Para as províncias, aquela que mais consumiu solo dentre todas em relação à superfície foi a de Monza, pequeníssima, e a de Brianza: mais de 22 hectares.

Números que dão medo. Eles dizem que, embora os dados melhorem aparentemente, graças aos novos sistemas de cálculo, o território artificial (coberto por casas, estradas, estacionamentos, indústrias e assim por diante) subiu para 7,64% do país (quase o dobro da média europeia: 4,3%), equivalentes a 23.022 quilômetros quadrados: o mesmo que a Úmbria, o Friuli Venezia Giulia e a Ligúria juntos.

Não basta. Os números são aterrorizantes se calcularmos (removendo as montanhas, as ilhas, os rios e, em suma, aqueles pedaços de superfície onde não se pode construir) o consumo efetivo de território: 10,8%. Com os picos mais altos justamente nas regiões onde mais se continua a construir: 14,7% do território efetivamente consumido no Vêneto, 16,3% na Lombardia, 17,3% na Campânia (onde são removidos outros hectares envenenados pelos resíduos tóxicos) e até 22,8% na Ligúria.

E aqui vem a pergunta já reproposta nos últimos dias por parlamentares como Chiara Braga ou Ermete Realacci, ambientalistas, e organizações como o Fundo Ambiente Italiano, o WWF (“apenas 30% das costas permaneceram no seu estado natural, enquanto 50% estão comprometidas”), Legambiente e Italia Nostra: quando chegará ao Senado italiano aquela bendita lei, já aprovada na Câmara há um ano, que deveria finalmente fixar limites para o consumo de solo?

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Cimento demais consome a humanidade - Instituto Humanitas Unisinos - IHU