Recusa de aperto de mão por estudantes muçulmanos causa confusão na Suíça

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08 Abril 2016

Uma decisão que permite que dois estudantes muçulmanos se recusem a participar na tradição de apertar as mãos da professora desencadeou uma polêmica nacional na Suíça.

Os dois adolescentes tiveram a autorização para não cumprimentar a professora com um aperto de mão na escola em Therwil, no norte do país, após dizerem que tocar uma mulher fora do ambiente familiar ia contra a fé muçulmana.

A reportagem é de Rosie Scammell, publicada por Religion News Service, 06-04-2016. A tradução de Isaque Gomes Correa.

Os meninos são irmãos, com 14 e 15 anos de idade, e um deles postou um material em sua página de Facebook em apoio do grupo que se intitula Estado Islâmico, segundo reportagem do jornal Basler Zeitung.

A decisão da escola vem enfrentando críticas, com o sindicato dos professores considerando discriminatória a atitude, de acordo com a BBC. Desde então, a escola ajustou a sua regra para afirmar que os dois meninos não devem apertar as mãos de homens ou mulheres.

O prefeito local, Reto Wolf, disse que os moradores locais estavam também insatisfeitos com a decisão.

“Na nossa cultura e no nosso modo de comunicação, um aperto de mão é normal e envia um sinal de respeito pela outra pessoa, e isso tem de ser ensinado às crianças na escola”, disse ele à BBC.

A ministra da Justiça, Simonetta Sommaruga, disse que os apertos de mãos fazem parte da cultura nacional e a decisão da escola não se enquadrava em sua visão de integração.

Algumas organizações muçulmanas a apoiaram. A Federação Suíça das Organizações Islâmicas afirmou não haver referência alguma no Alcorão que justifique a recusa no aperto de mão a uma professora, informou a BBC. Porém Conselho Central Islâmico da Suíça sustentou que os apertos de mãos entre homens e mulheres não são permitidos.

Os muçulmanos formam 5% da população no país alpino, que proibiu a construção de minaretes em um referendo em 2009.