O Papa escreve aos novos cardeais: sejam humildes; a púrpura não é um prêmio

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Por: André | 26 Janeiro 2015

“Manter a humildade no serviço não é fácil quando se considera o cardinalato como um prêmio, como ápice de uma carreira, uma dignidade de poder...”. Em 04 de janeiro passado, dia em que anunciou a lista dos 20 nomes dos novos cardeais que receberão o anel cardinalício durante o Consistório de fevereiro, o Papa Bergoglio enviou a cada um uma carta, publicada na sexta-feira, 23 de janeiro.

A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada no sítio Vatican Insider, 23-01-2015. A tradução é de André Langer.

“Peço ao Senhor que te acompanhe neste novo serviço – escreve o Papa Francisco –, que é um serviço de ajuda, apoio e especial proximidade com a pessoa do Papa e pelo bem da Igreja. E justamente para exercer esta dimensão de serviço, o cardinalato é uma vocação. O Senhor, mediante a Igreja, te chama uma vez mais para servir; e te fará bem ao coração repetir na oração a expressão que Jesus mesmo sugeriu aos seus discípulos para manter-se na humildade: ‘Digam: ‘somos servos inúteis’, e isso não como uma fórmula de boa educação, mas como verdade depois do trabalho, ‘quando tiverem feito tudo o que lhes foi ordenado’”.

“Manter a humildade no serviço não é fácil quando se considera o cardinalato como um prêmio, como ápice de uma carreira, uma dignidade de poder ou de distinção superior. Por isso o teu empenho para manter longe estas considerações e, sobretudo, para recordar que ser cardeal significa incardinar-se na diocese de Roma para dar testemunho da Ressurreição do Senhor e dar totalmente, até o sangue, se necessário”.

O Papa conclui a carta recordando que “muitos se alegrarão por esta tua nova vocação e, como bons cristãos, farão festa (porque é próprio do cristão alegrar-se e saber festejar). Aceita-a com humildade. Fá-lo de modo a que, nestes festejos, não se insinue o espírito mundano que entontece mais que a “grappa” em jejum, desorienta e separa da cruz de Cristo”. Francisco sugere aos novos cardeais que se preparem com “oração e um pouco de penitência”.