Papa ressalta necessidade de resposta teológica para o fanatismo, “religião desviante”

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15 Janeiro 2015

"Não há nada mais destrutivo do que o fanatismo religioso. Podemos atirar bombas e lançar drones nele, mas este fanatismo não irá cessar até que o confrontemos teologicamente", diz Thomas Groome, professor da Boston College, em discurso. O trecho em questão encontra-se no editorial do jornal National Catholic Reporter, 12-01-2015. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis o editorial.

“O Papa Francisco levantou um ponto poderoso, imperativo e urgente de que a resposta ao terrorismo, como o que aconteceu em Paris, não pode simplesmente ser uma resposta militar ou diplomática; tem que ser teológica”, disse um destacado professor da Boston College hoje.

Ao responder ao discurso do Papa Francisco na manhã desta terça-feira a diplomatas reunidos na Santa Sé, o professor da Boston College Thomas Groome disse: “Precisamos dar uma resposta teológica para o que está acontecendo dentro do Islã e o Ocidente precisa ajudar esta religião a dar uma resposta teológica ao extremismo que tem surgido”.

“Como o papa indicou, trata-se de uma forma desviante de religião”, disse Groome em um comunicado divulgado pela universidade hoje.

“Não há nada mais destrutivo do que o fanatismo religioso. Podemos atirar bombas e lançar drones nele, mas este fanatismo não irá cessar até que o confrontemos teologicamente”, escreveu.

Groome é o presidente do departamento de educação religiosa e ministério pastoral da Escola de Teologia e Ministério da Boston College, Estados Unidos.

O texto completo segue abaixo:

“Penso que o Papa Francisco levantou um ponto poderoso, imperativo e urgente de que a resposta ao terrorismo, como o que aconteceu em Paris, não pode simplesmente ser uma resposta militar ou diplomática; tem que ser teológica. Precisamos dar uma resposta teológica para o que está acontecendo dentro do Islã e o Ocidente precisa ajudar esta religião a dar uma resposta teológica ao extremismo que tem surgido. Como o papa indicou, trata-se de uma forma desviante de religião.

Não podemos derrotar o extremismo e o terrorismo militarmente. Acabamos com eles num lugar e, em seguida, aparecem em outro. Isso continuará para sempre a menos que os confrontamos teologicamente, pois militarmente não teremos condições de derrotá-los. Não há nada mais destrutivo do que o fanatismo religioso. Podemos atirar bombas e lançar drones, mas este fanatismo não irá cessar até que o confrontemos teologicamente.

O papa convidou líderes muçulmanos moderados e teólogos para virem a público e dizer: ‘Isto não é Islã.’ No longo prazo, a única solução é convencer o extremismo dentro do Islã de que seus membros estão interpretando equivocadamente os textos sagrados, que não é isto o que o Sagrado Alcorão está pedindo a eles. Isto terá de ser feito pelos estudiosos muçulmanos, mas eu acho que os estudiosos cristãos podem apoiá-los ao longo deste caminho.

Há importantes representantes moderados; na verdade, a grande maioria dentro do mundo muçulmano são vozes moderadas. Estas, porém, não estão sendo ouvidas e os teólogos ocidentais precisam ajudar os teólogos muçulmanos moderados a vir a público e condenar, claramente, aquela espécie de coisa que aconteceu em Paris e que está acontecendo em todo o mundo. Toda esta forma terrível de terrorismo está baseada numa forma desviante de religião, uma forma desviante do Islã e precisa ser abordada. Não há nada de mais em dizer: ‘Ah, o Islã é basicamente uma religião de paz.’ Isso é verdade, mas todos os tipos de extremismos têm deixado isto de lado e convencido jovens de que é isto o que Alá ou o Alcorão lhes pede, e este é basicamente um tipo de fundamentalismo que os cristãos tiveram de encarar um século atrás.

A revelação sempre necessita de razão. Sem razão, a revelação se torna terrivelmente perigosa e isso é verdadeiro com a Bíblia, é verdadeiro com o Sagrado Alcorão, é verdadeiro com qualquer livro religioso que queiramos pegar como exemplo; se abordamos qualquer um destes textos religiosos como uma mensagem fundamentalista direta de Deus, e não como um texto historicamente contextual de um período em particular, se abordarmos qualquer um deles como verdade absoluta e revelação final, então ele irá conduzir ao fundamentalismo terrível e à religião desviante.”

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