18 questionamentos bíblicos: diálogo em Jerusalém entre os dominicanos Radcliffe e Popko

Foto: Joice Rivas | Pexels Canva

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02 Novembro 2023

A Bíblia é um livro cheio de perguntas. Questionamentos que Deus faz ao homem e à mulher, isto é, a personagens individuais, mas sempre na lógica da universalidade: pergunta a Adão “onde você está?”, para alcançar cada pessoa que errou não com o juízo da exclusão, mas com a interpelação do cuidado; pergunta a Abel: “onde está teu irmão?”, porque a responsabilidade para com o outro é uma dimensão constitutiva do ser humano. Por sua vez, Jesus é questionado e ele mesmo faz perguntas: seus pais lhe perguntam “por que você nos tratou assim?” , quando deixa a caravana rumo a Jerusalém e começa a discutir com os doutores da lei no templo; por outro lado, uma das últimas palavras de Jesus relatadas nos evangelhos é justamente aquele: “você me ama mais do que estes?” que Cristo coloca como um desafio benevolente a Pedro na margem do lago, após a sua ressurreição.

A informação é da redação Agorà, publicada por Avvenire, 29-10-2023. A tradução é de Luisa Rabolini.

Dezoito dessas perguntas servem de inspiração para um livro que entrelaça Bíblia e arte, exegese e literatura: Domande di Dio, domande a Dio. In dialogo con la Bibbia (Perguntas de Deus, perguntas a Deus. Em diálogo com a Bíblia, em tradução livre, Libreria Editrice Vaticana, 254 páginas €25,00, nas livrarias a partir de terça-feira). É obra de dois dominicanos: Timothy Radcliffe, autor de espiritualidade entre os mais conhecidos no mundo (seus textos são traduzidos em 24 idiomas), e Lukasz Popko, jovem biblista polonês que atua na Ecole biblique et archéologique de Jerusalém, especialista em Antigo testamento. O Papa Francisco assina o prefácio desse volume profundo e culto, páginas que nunca são previsíveis e que estimulam o pensamento. Porque diante das perguntas existem duas atitudes possíveis: evitar enfrentá-las ou deixar-se envolver por elas. E não há como saber onde se vai acabar.

Domande di Dio, domande a Dio. In dialogo con la Bibbia (Foto: Divulgação)

Radcliffe e Popko, que conduziram o diálogo gerador do livro na Jerusalém hoje tão dramaticamente atual, mas também recorrendo a tecnologias digitais atuais, entregam ao leitor um livro que desafia. Da psicologia à vida dos santos, das referências a obras de arte clássicas e contemporâneas (um precioso encarte de fotografias de quadros embeleza o volume) a uma exegese realizada sobre traduções literais ex novo dos textos bíblicos tomados em consideração, os dois dominicanos escritores conduzem o leitor a levar a sério as Escrituras como mestras de humanidade, prenúncio de interpelações que colocam em crise visões laicistas míopes e redutivas, bem como olhares carolas que defraudam a Bíblia de sua força profética e universalista.

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