Francisco pelos 50 anos de Santarém: “Sejam corajosos e audaciosos, abrindo-se confiadamente à ação de Deus”

Seminário Pio X, em Santarém (PA) | Foto: Luis Miguel Modino

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08 Junho 2022

 

A Igreja da Amazônia brasileira está comemorando os 50 anos de Santarém, um Documento decisivo para entender os caminhos trilhados na região ao longo desse tempo. Um “motivo de especial alento” para o Papa Francisco.

 

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

 

Em uma mensagem enviada aos 100 participantes do IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal, o Santo Padre afirma que o motivo do seu especial alento está no fato de “saber que sonhamos juntos ‘com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos’”, lembrando as palavras da Querida Amazônia.

 

O Papa Francisco destaca que a importância deste encontro está no fazer “memória daquele ocorrido nesse mesmo local”, o que “é ocasião de intensa ação de graças ao Altíssimo pelos frutos da ação do Divino Espírito Santo na Igreja que está na Amazônia – durante estas últimas cinco décadas – e por quanto a mesma inspira”.

 

Um encontro importante, que “propôs linhas de evangelização que marcaram a ação missionária das comunidades amazônicas e que auxiliaram na formação de uma sólida consciência eclesial”. Sua importância é tal que o próprio Papa Francisco reconhece que “as intuições daquele encontro serviram também para iluminar as reflexões dos padres sinodais, no recente Sínodo para a região Pan-Amazônica”, palavras recolhidas no número 61 da Querida Amazônia. O Papa Francisco chega afirmar que as “linhas prioritárias” de Santarém esboçaram os sonhos para a Amazônia recolhidos no número 7 da exortação pós-sinodal.

 

O Santo Padre diz, também, alegrar-se “pelo empenho das Igrejas Particulares da Amazônia Brasileira, por meio de suas comunidades, em levar adiante as indicações da última Assembleia Sinodal”, destacando a importância da “bela tradição dos encontros das Igrejas Locais, a vivência da sinodalidade – como expressão de comunhão, participação e missão – à qual toda a Igreja é chamada”. Do mesmo modo recorda com carinho e com gratidão a participação intensa dos representantes do Brasil no último Sínodo, “trazendo vitalidade, força e esperança”.

 

Com palavras costumeiras em suas mensagens, o Papa Francisco faz um chamado aos participantes do IV Encontro da Igreja católica na Amazônia Legal a que “sejam corajosos e audaciosos, abrindo-se confiadamente à ação de Deus”, e através do Espírito, “anunciar o Evangelho com novo empenho e a contemplar a beleza da criação”.

 

Depositando seus votos aos pés de Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia, o Papa enviou a Benção Apostólica aos participantes do encontro, pedindo, como já é costume, que “continuem a rezar por mim e pela missão que o Senhor me confiou”.

 

Leia a mensagem na íntegra:

 

Queridos irmãos e irmãs,

 

Com o coração repleto de alegria e esperança, dirijo-me a todos os participantes do IV Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, pois é motivo de especial alento para mim saber que sonhamos juntos “com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos” (QA, 7). Ao mesmo tempo, saber que esse encontro faz memória daquele ocorrido nesse mesmo local há 50 anos atrás, é ocasião de intensa ação de graças ao Altíssimo pelos frutos da ação do Divino Espírito Santo na Igreja que está na Amazônia – durante estas últimas 5 décadas – e por quanto a mesma inspira.

 

Aquele “Encontro de Santarém” propôs linhas de evangelização que marcaram a ação missionária das comunidades amazônicas e que auxiliaram na formação de uma sólida consciência eclesial. As intuições daquele encontro serviram também para iluminar as reflexões dos padres sinodais, no recente Sínodo para a região Pan-Amazônica, como recordei na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Querida Amazônia, ao descrevê-lo como uma das “expressões privilegiadas” do caminhar da Igreja com os povos da Amazônia (cf. QA, 61). De fato, nas conhecidas “linhas prioritárias”, frutos do recordado encontro, encontram-se esboçados os sonhos para a Amazônia que foram reafirmados no último sínodo (cf. QA, 7).

 

Alegro-me igualmente pelo empenho das Igrejas Particulares da Amazônia Brasileira, por meio de suas comunidades, em levar adiante as indicações da última Assembleia Sinodal, testemunhando ao mesmo tempo, pela já enraizada e bela tradição dos encontros das Igrejas Locais, a vivência da sinodalidade – como expressão de comunhão, participação e missão – à qual toda a Igreja é chamada. Recordo com carinho e com gratidão a participação intensa dos que vieram do Brasil à Roma trazendo vitalidade, força e esperança para as sessões do Sínodo de 2019.

 

Sejam corajosos e audaciosos, abrindo-se confiadamente à ação de Deus que tudo criou, nos deu a si mesmo em Jesus Cristo (cf. QA, 41), e nos inspira através do Espírito a anunciar o Evangelho com novo empenho e a contemplar a beleza da criação, ainda mais exuberante nessas terras amazônicas, onde se experimenta a presença luminosa do Ressuscitado (cf. QA, 57).

 

Ao depositar tais votos aos pés de Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia – que jamais nos abandona nas horas escuras (cf. QA, 111) – envio-lhes, queridos irmãos e irmãs, de todo o coração, a Benção Apostólica, pedindo também que, por favor, continuem a rezar por mim e pela missão que o Senhor me confiou.

 

Roma, São João de Latrão, 31 de maio 2022

 

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