Papa fala a jovens ativistas franceses para “começarem uma revolução”

Foto: Vatican News

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

18 Março 2021

Francisco pede aos ativistas sociais para que “abram os ouvidos” do mundo “que se faz surdo” às mudanças.

A reportagem é de Loup Besmond de Senneville, publicada por La Croix International, 17-03-2021. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O Papa Francisco disse a um grupo de jovens ativistas franceses que somente sua geração poderá trazer a mudança necessária no mundo, porque aqueles que são mais velhos não entendem como fazer.

“Iniciem a revolução, chacoalhem as coisas para cima. O mundo se faz de surdo; vocês devem abrir seu ouvido”, falou o papa ao trio durante um encontro privado de 45 minutos, em sua residência no Vaticano, no dia 15-03.

Os três jovens eram Cyril Dion, ativista ambiental, Eva Sadoun, empreendedora, e Samuel Grzybowski, fundador da Coexister, um movimento juvenil inter-religioso que promove a coexistência pacífica.

O encontro com o papa foi requisitado por Pierre Larrouturou, membro do Parlamento Europeu, que procurou compartilhar com Francisco sua proposta para taxar transações financeiras.

Mas Larrouturou foi forçado a desistir da viagem pois testou positivo para o coronavírus.

Renovando a democracia

“Cada um de nós destacou seus compromissos e falamos sobre juventude, economia, finanças, democracia, populismo, secularismo e clima”, disse Grzybowski.

“Nosso objetivo era mostrar que a justiça social estava ligada com a justiça ambiental, e que a democracia e a transição ecológica andam de mãos dadas”, continuou Sadoun.

Ela é melhor conhecida como a cofundadora do Lita.co, que tem como objetivo reduzir as desigualdades sociais e ambientais pela promoção de “investimento responsável”.

Dion falou ao Papa Francisco sobre a experiência da Convenção de Cidadãos sobre o Clima, a qual ocorreu recentemente na França. Ele destacou a necessidade de renova a democracia e a relação entre os cidadãos e o poder.

Ele também ofereceu ao papa uma versão espanhola do filme “Demain” (“Amanhã”, em tradução livre), o qual ele foi co-diretor com Mélanie Laurente.

Sistema financeiro é uma “névoa”

Enquanto os jovens falavam em francês, o papa tomava notas. Quando ele interviu, repetidamente referia-se às finanças como uma “névoa” que obscurece a economia e a previne qualquer mudança.

Ele também fez alusão à sua conversa com a presidente do banco central europeu Christine Lagarde, dizendo que a pediu para combinar ecologia e humanismo.

“O sistema financeiro é como um poema de Verlaineblesse mon cœur d’une langueur monotone”, disse o papa, citando o poeta Paul Verlaine em francês (o poema original de Verlaine e suas diferentes traduções para o português podem ser conferidos neste link).

“Vocês são a juventude, somente vocês podem fazer isso, vocês entendem a mudança. Vocês não têm experiência, mas isso é uma boa notícia, porque isso faz de vocês criativos”, falou Francisco a seus visitantes.

“Ele nos disse que nós não estávamos em idade de compromissos, mas que este era o tempo de embarcar em um novo caminho”, explicou Sadoun.

“Rezem por mim”

Papa Francisco também falou sobre secularismo, expandindo sobre a sua posição já apresentada várias vezes.

“Um Estado precisa ser absolutamente secular, mas não deve ser secularista”, disse.

“Estados religiosos causaram muitos males; uma religião não pode estar apto a disputar o Estado. Um Estado deve ser secular. Isso significa que respeita as diferentes crenças e transcendências enquanto oferece uma estrutura comum”, insistiu o Papa.

Ele criticou as formas não saudáveis de secularismo usando uma imagem da segunda carta de Pedro: “quando o secularismo se torna uma religião, é como um cão que volta ao seu próprio vômito”.

“Eu tenho um trabalho muito difícil, rezem por mim”, falou o papa ao grupo, como de costume.

“E se alguém entre vocês não reza, então me envie boas energias”, acrescentou.

 

Leia mais