Francisco e menina com autismo correndo pelo palco em audiência geral no Vaticano

Momento em que menina sobe ao palco da sala Paulo XVI | Foto: Frame vídeo Vatican News

Mais Lidos

  • Em vez de as transformações tecnológicas trazerem mais liberdade aos humanos, colocou-os em uma situação de precarização radical do trabalho e adoecimento psicológico

    Tecnofascismo: do rádio de pilha nazista às redes antissociais, a monstruosa transformação humana. Entrevista especial com Vinício Carrilho Martinez

    LER MAIS
  • A Espiritualidade do Advento. Artigo de Alvim Aran

    LER MAIS
  • Desatai o futuro! Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

23 Agosto 2019

 Durante a audiência geral semanal do dia 21 de agosto, Clelia Manfellotti, menina de 10 anos de Nápoles diagnosticada com autismo, subiu os degraus do palco onde o papa proferia a sua catequese, correndo de lado para o outro.

A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada por Catholic News Service, 21-08-2019. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

O pontífice sinalizou aos seguranças que “deixem ela. Deus fala” através das crianças, levando o público a irromper em aplauso. Cumprimentando os peregrinos falantes de italiano ao final da audiência, Francisco refletiu sobre a menina como uma “vítima de uma doença e não sabe o que ela está fazendo”.

“Pergunto uma coisa, e todos deveriam responder em seus corações: ‘Orei por ela quando a vi? Orei para que o Senhor a cure e proteja? Orei por seus pais e sua família?’ Quando vemos uma pessoa que está sofrendo, devemos orar. Esta situação deveria nos ajudar a sempre fazer essa pergunta: Orei para esta pessoa que vejo, (esta pessoa) que está sofrendo?”, disse.

Em sua catequese, o papa continuou a sua série de discursos sobre os Atos dos Apóstolos refletindo sobre a comunhão de bens entre as primeiras comunidades cristãs.

Enquanto a comunhão na oração e na Eucaristia unia os fiéis “em um só coração e em uma só alma”, o papa disse que a comunhão dos bens materiais ajudava os primeiros cristãos a cuidar uns dos outros e a “manter longe o flagelo da pobreza”.

“Esta koinonia ou comunhão se configura como a nova modalidade de relação entre os discípulos do Senhor. O vínculo com Cristo instaura um vínculo entre irmãos e irmãs que também converge e se manifesta na comunhão dos bens materiais. Ser membro do Corpo de Cristo torna os fiéis corresponsáveis uns pelos outros”, explicou o papa.

No entanto, o religioso também lembrou o exemplo de Ananias e sua esposa Safira, membros da primitiva igreja cristã que de repente morreram após ter sido revelado que haviam entregado somente uma parte aos apóstolos do valor integral arrecadado com a venda de um terreno. O papa explicou que o casal “mentiu para Deus por causa de uma consciência isolada, uma consciência hipócrita” que se baseava numa “pertença parcial e oportunista” à Igreja.

As pessoas que estão “sempre de passagem jamais entram na Igreja” de um modo plenamente comunal, de partilha e cuidado. Elas se envolvem numa espécie de “turismo espiritual que faz com que pensem ser cristãos, mas são somente turistas de catacumbas”, disse ele.

“A hipocrisia é o pior inimigo desta comunidade cristã, deste amor cristão: fazer de conta de querer bem, mas buscar somente o próprio interesse”, falou em seguida. “Faltar com a sinceridade da compartilha ou faltar com a sinceridade do amor significa cultivar a hipocrisia, afastar-se da verdade, se tornar egoístas, apagar o fogo da comunhão e destinar-se ao gelo da morte interior”, completou.

Antes de concluir, Francisco orou para que Senhor “derrame sobre nós o seu Espírito de ternura, que vence toda hipocrisia e coloca em circulação aquela verdade que nutre a solidariedade cristã”.

A comunhão dos bens, disse o Papa Francisco, está “longe de ser atividade de assistência social”. Em vez disso, é uma expressão irrenunciável da natureza da Igreja que, como mãe cheia ternura, cuida de todos os filhos, especialmente dos mais pobres”.

Leia mais