''Por dinheiro e poder, corre-se o risco de perder toda a dignidade'', afirma Papa Francisco

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12 Março 2019

“A avidez pela posse, a glória humana, a instrumentalização de Deus.” Três caminhos que prometem “grandes sucessos”, como dinheiro e poder, mas que levam à perdição, o verdadeiro objetivo de Satanás, que é o autor dessas tentações. O Papa Francisco abordou esse tema na catequese do Ângelus na Praça de São Pedro, nesse primeiro domingo da Quaresma, cujo Evangelho narra a experiência de Jesus no deserto que, depois de jejuar por 40 dias, é tentado três vezes pelo diabo.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 11-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Transformar uma pedra em pão; tornar-se um messias poderoso e glorioso; jogar-se do templo de Jerusalém para manifestar o seu poder divino de maneira espetacular: assim o demônio tenta Cristo, que “enfrenta na primeira pessoa” e “vence” essas provações.

As mesmas, evidencia o papa, que se colocam diariamente no caminho do cristão “com a ilusão de poder, assim, obter o sucesso e a felicidade”, mas que, na realidade, “são totalmente estranhas ao modo de agir de Deus; ou, melhor, de fato, nos separam d’Ele, porque são obra de Satanás”.

“A estrada da avidez pela posse”, acima de tudo, “ter, ter, ter”. “É sempre essa a lógica insidiosa do diabo”, sublinha Francisco. “Ele parte da necessidade natural e legítima de se alimentar, de viver, de se realizar, de ser feliz, para nos levar a crer que tudo isso é possível sem Deus ou, melhor, até contra Ele.”

Jesus se opõe a isso afirmando “que quer se abandonar com plena confiança à providência do Pai, que sempre cuida dos seus filhos”.

Depois, há “a estrada da glória humana”: “Pode-se perder toda a dignidade pessoal, deixamo-nos corromper pelos ídolos do dinheiro, do sucesso e do poder, a fim de alcançar nossa própria autoafirmação. E se degusta a embriaguez de uma alegria vazia que logo desaparece”, observa Bergoglio. “E isso nos leva a também ser pavões”, a seguir “a vaidade que desvanece...”.

Depois, ele adverte contra a terceira tentação, a de “instrumentalizar Deus em vantagem própria”. “Ao diabo que, citando as Escrituras, convida-o a buscar de Deus um milagre impressionante Jesus opõe novamente a firme decisão de permanecer humilde e confiante diante do Pai”; desse modo, Cristo rejeita “talvez a tentação mais sutil”, o “querer ‘puxar Deus para o nosso lado’, pedindo-lhe graças que, na realidade, servem para satisfazer o nosso orgulho”.

Jesus, então, “indica-nos os remédios” para combater essas tentações: “A vida interior, a fé em Deus, a certeza do seu amor”. E nos ensina “que com o diabo não se dialoga, não se deve dialogar. Só se responde a ele com a palavra de Deus”.

“Aproveitemos, portanto, a Quaresma como um tempo privilegiado para nos purificar, para experimentar a presença consoladora de Deus na nossa vida”, exorta o papa, que conclui a catequese rezando à Virgem Maria, “ícone de fidelidade a Deus”, para que “nos sustente no nosso caminho, ajudando-nos a rejeitar sempre o mal e a acolher o bem”.

Depois do Ângelus, Francisco recordou a beatificação ocorrida nesse sábado em Oviedo, Espanha, dos seminaristas Ángel Cuartas e oito companheiros mártires nas Astúrias, mortos em ódio à fé em um tempo de perseguição religiosa.

“Esses jovens aspirantes ao sacerdócio amaram tanto o Senhor a ponto de o seguir no caminho da cruz”, disse. “Que o seu testemunho heroico ajude os seminaristas, os sacerdotes e os bispos a se manterem límpidos e generosos para servir fielmente ao Senhor e ao povo santo de Deus”.

Depois das saudações aos fiéis e peregrinos italianos e estrangeiros presentes na Praça de São Pedro, o Papa Francisco desejou a todos “que o caminho quaresmal, recém-iniciado, seja rico em frutos”. Por fim, pediu orações para si e para os colaboradores da Cúria Romana, que, a partir da noite desse domingo até sexta-feira, 15 de março, estarão em retiro na Casa Divin Maestro de Ariccia para a semana de Exercícios Espirituais. Depois, a costumeira saudação: “Bom domingo! Bom almoço! E até breve!”.

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