Sínodo, cardeal Ravasiː é preciso conhecer a linguagem dos jovens

Diversidade. | Foto: PxHere

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09 Outubro 2018

O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, analisa as mudanças que afetaram a linguagem dos jovens.

A reportagem é de Amedeo Lomonaco, publicada por Vatican News, 06-10-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Entre os temas que afetam à crucial relação entre a Igreja e os jovens, um aspecto não secundário e recordado durante o Sínodo de bispos, diz respeito à linguagem das novas gerações. Ao Vatican News o Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, explicou que esse tipo de linguagem "adquiriu novas gramáticas expressivas e é necessário - como acontece com um idioma diferente - tentar aprender sua sintaxe, estilo e modalidades".

As formas da linguagem dos jovens

A linguagem dos jovens, afirma o cardeal Ravasi, se expressa principalmente de três formas. A primeira modalidade refere-se à frase que é essencial, não subordinada. Essa linguagem, explica o cardeal, manifesta-se também através do símbolo, da imagem. E finalmente, se expressa através da virtualidade, que também é uma realidade porque constitui um vínculo entre as pessoas, embora muito diferente do tradicional.

A linguagem dos jovens e as parábolas de Jesus

Jesus, lembra o cardeal Ravasi, já usou as duas primeiras formas da linguagem usadas pelos jovens. Por um lado, "usa aquilo que os estudiosos, os exegetas chamam de 'loghion', que é a frase essencial e sintética: Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus." Em grego - ele afirma - existem apenas 50 caracteres. "A parábola - diz então o cardeal Ravasi - não é nada além da representação televisiva, visual, de um evento que permite ao espectador entrar nesse horizonte."

Info-obesidade

Outro traço característico da linguagem dos jovens é a virtualidade "A Igreja - observa o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura - deve, em primeiro lugar, reconhecer que ao lado da linguagem tradicional existe uma nova linguagem, que não exclui a anterior, mas que certamente é dominante e é aquela da informática." Essa linguagem tem "limites inclusive mais pesados do que a anterior": fala-se explicitamente - recorda o cardeal Ravasi – em "info-obesidade, ou seja, o uso excessivo da virtualidade". Pessoas irreconhecíveis

O uso excessivo das informações "transforma a pessoa e a torna irreconhecível". “Vamos pensar, por exemplo - diz o cardeal Ravasi – nas fake news e até mesmo na agressividade na web: as telas das mídias sociais são muitas vezes aterrorizantes porque a pessoa não está mais na 'dieta' normal da palavra, do significado e da mensagem, mas está totalmente envolvida por esse novo horizonte".

Mudando a linguagem

Neste cenário também há grandes vantagens: "A comunicação - conclui o cardeal Ravasi - torna-se muito mais rica, os dados oferecidos são maiores". "Portanto, a mensagem evangélica deve ser expressa através desse caminho como Paulo fez, quando mudou a linguagem e os símbolos que eram próprios do Evangelho e do mundo hebraico, e introduziu o grego e a reflexão".

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