O Papa aos luteranos: “Não corramos com ímpeto, mas caminhemos juntos”

O Papa em Lund, durante a celebração ecumênica pelos 500 anos da Reforma de Lutero (Fonte: Vatican Insider)

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06 Junho 2018

Católicos e luteranos devem “prosseguir” em suas relações recíprocas “não com o ímpeto de correr para a frente para ganhar metas desejadas, mas caminhando juntos com paciência, sob o olhar de Deus”, porque “nenhum diálogo ecumênico pode avançar se permanecemos quietos”. Este é o passo que segundo o Papa Francisco deve ser mantido, conforme disse ao receber uma delegação de luteranos da Alemanha, hoje pela manhã, no Palácio Apostólico. Também foi a oportunidade para que os convidados do Papa manifestassem que observam, com “atenção e grande esperança”, o debate que está sendo realizado na Igreja católica alemã a respeito da possibilidade de admitir a comunhão aos cônjuges protestantes de fiéis católicos.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 04-06-2018. A tradução é do Cepat.

“Apoiemos uns aos outros no caminho, inclusive levando adiante o diálogo teológico”, disse o Papa. “Nenhum diálogo ecumênico pode avançar se permanecemos quietos. Caminhar. Devemos prosseguir: não com o ímpeto de correr para a frente para ganhar metas desejadas, mas caminhando juntos com paciência, sob o olhar de Deus. Alguns temas – prosseguiu o Papa –, penso na Igreja, na Eucaristia e no ministério eclesial, merecem reflexões pontuais e bem compartilhadas. O ecumenismo também exige não ser elitista, mas envolver o máximo possível muitos irmãos e irmãs na fé, crescendo como comunidade de discípulos que rezam, amam e anunciam. Com esta base, o diálogo ecumênico nos ajudará a progredir, sob a condução do Espírito Santo, na compreensão comum da revelação divina, que se aprofunda conhecendo e amando juntos o Senhor Jesus Cristo, porque – continuou Francisco citando a Carta de Paulo aos Colossenses – “ nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade” e “agradou a Deus... que mediante Ele... sejam reconciliadas todas as coisas”.

Francisco destacou a comemoração comum da reforma luterana do ano passado “Em 31 de outubro de 2016, encontramo-nos em Lund para caracterizar, em espírito de comunhão, o que pelas feridas do passado poderia, ao contrário, suscitar polêmicas e desgosto”, recordou Jorge Mario Bergoglio. “Agradecidos a Deus, pudemos constatar que os quinhentos anos de história (às vezes muito dolorosa), que nos viram enfrentados e muitas vezes em conflito, deixaram espaço, nos últimos cinquenta anos, para uma comunhão que cresce. Graças à obra do Espírito, aos encontros fraternais, a gestos que seguem a lógica do Evangelho mais que às estratégias humanas, além do diálogo oficial luterano-católico, foi possível superar velhos preconceitos dos dois lados. Com a ajuda de Deus, desejamos um futuro predisposto à superação plena das divergências”.

A comemoração comum da Reforma, disse Francisco, “nos confirmou que o Ecumenismo seguirá marcando nosso caminho. Está se tornando cada vez mais uma necessidade e um desejo, como demonstram as diferentes orações em comum e muitos encontros ecumênicos que foram realizados, no ano passado, no mundo. Não nos esqueçamos que é necessário começar pela oração, para que não sejam somente projetos humanos os que indiquem o caminho, mas o Espírito Santo: somente Ele abre a via e ilumina os passos que são necessários dar. O Espírito de amor não pode a não ser nos levar pelas sendas da caridade”.

Como cristãos, católicos e luteranos, “somos chamados, antes de mais nada, a nos amar “intensamente, verdadeiramente com o coração, uns aos outros”, porque somos “regenerados mediante a palavra de Deus viva e eterna”, disse o Papa, citando a primeira carta de Pedro. “Mas, também somos chamados a aliviar juntos as misérias dos necessitados e dos perseguidos. Os sofrimentos de muitos irmãos oprimidos, devido à fé em Jesus, também são um convite grave a alcançar, cada vez mais, uma visível e concreta unidade entre nós: o ecumenismo de sangue”.

Francisco encerrou seu discurso com o desejo de que o Senhor acompanhe os católicos e os luteranos “para que nosso ser cristão esteja mais centrado Nele e seja mais corajoso na missão; para que o cuidado pastoral se enriqueça de serviço e, em suas diferentes dimensões, esteja mais marcado de espírito ecumênico”. Antes de se despedir, convidou os luteranos alemães para que rezassem com ele o Pai Nosso.

A delegação do Comitê Nacional Alemão da Federação luterana, segundo foi indicado na Alemanha, nestes dias, irá se reunir com o Prefeito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o cardeal Kurt Koch, e com o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o futuro cardeal Luis Ladaria.

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