Hospitalidade eucarística na Alemanha: rumo a um encontro em Roma

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20 Abril 2018

A Conferência dos Bispos da Alemanha negou, pela boca de seu porta-voz, relatos da imprensa segundo os quais o Vaticano teria rejeitado o documento relativo à hospitalidade eucarística para o cônjuge não católico dos casais compostos por pessoas que pertencem a duas confissões cristãs diferentes, geralmente católica e protestante. Sobre a questão – um caso nada raro na Alemanha e um tema sobre o qual a Igreja define a própria presença na sociedade de hoje – será realizado, em breve, por desejo do papa, um encontro no Vaticano.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada por Vatican Insider, 19-04-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A história começou meses atrás. O cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique e presidente da Conferência Episcopal Alemã, explicou, no fim da assembleia dos bispos em meados do ano passado, que, “nos últimos meses, a Comissão Ecumênica e a Comissão para a Doutrina da Fé trabalharam em um documento – coerente com os textos de referência do magistério universal das últimas décadas até a Amoris laetitia – que pretende ser um auxílio para examinar as situações concretas e para chegar a uma decisão responsável sobre a possibilidade de o cônjuge não católico ter acesso à comunhão”.

O documento, que, dizia-se, seria publicado nas semanas seguintes, era dirigido principalmente aos pastores, para lhes dar uma “orientação para o acompanhamento pastoral”. “O compêndio – havia explicado ainda o purpurado alemão – parte do pressuposto de que, nos casais interconfessionais, a fome espiritual de ter acesso juntos à comunhão, nos casos individuais, pode ser tão urgente que o fato de não a satisfazer pode resultar em uma ameaça ao matrimônio e à dos cônjuges”.

Uma “necessidade espiritual grave” que possibilita, de acordo com o Direito Canônico, que o cônjuge evangélico se aproxime da mesa do Senhor, se confessar a fé eucarística católica. Daí a consideração, dissera Marx, de que é possível a hospitalidade eucarística para aqueles cônjuges que, “depois de um exame maduro durante uma conversa espiritual com o pastor ou com a pessoa encarregada pela pastoral, cheguem ao juízo de consciência de poder confessar a fé eucarística da Igreja Católica”.

Poucas semanas depois, ficou-se sabendo que sete bispos alemães, em 22 de março, escreveram para a Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano e para o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos para pedir um pronunciamento da Santa Sé.

Entre os sete signatários, estava o arcebispo de Colônia, o cardeal Rainer Maria Woelki. A notícia da carta foi revelada pelo jornal alemão Koelner Stadt-Anzeiger. A pergunta, retórica, contida na missiva é se uma decisão de tal importância para a vida da fé pode ser tomada por uma Conferência Episcopal nacional individual, ou se não seria necessária uma “decisão da Igreja universal”, válida indistintamente para todos os católicos do mundo. A iniciativa da carta foi tomada sem o conhecimento do presidente da Conferência Episcopal, o cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique, que, em uma nota pública, disse estar surpreso com a iniciativa.

Hoje, finalmente, um novo capítulo do caso. No site austríaco Kath.net, primeiro, e, depois, em outros meios de comunicação, circulou a notícia de que a Congregação para a Doutrina da Fé, liderada por Dom Francisco Ladaria, teria rejeitado a proposta alemã em uma carta aprovada pelo papa.

Em uma nota emitida no início da tarde dessa quinta-feira, 19, o porta-voz dos bispos, Matthias Kopp, recapitula e especifica: em primeiro lugar, “a respeito da carta de sete membros da Conferência Episcopal Alemã a diversos dicastérios do Vaticano e à sua reação em relação a esses coirmãos, o presidente da Conferência Episcopal Alemã, cardeal Reinhard Marx, informou a Conferência Episcopal. Ele informou também os dicastérios do Vaticano acerca de sua reação”.

Em segundo lugar, “os membros da Conferência Episcopal Alemã tinham tempo até a Páscoa para propor modificações (‘modos’) para a resolução aprovada na assembleia plenária da primavera, em Ingolstadt, relativa ao documento acima mencionado. As assinalações recebidas foram incorporadas no documento, cuja versão final – por decisão da assembleia plenária – foi estabelecida pelo presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé, pelo presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e pelo presidente da Conferência Episcopal Alemã. Marx informará o conselho episcopal permanente sobre a situação do caso, na sua reunião de 23 de abril. O documento não foi enviado por Marx ao Vaticano. Mais de dois terços dos membros da Conferência Episcopal Alemã aprovaram o documento como subsídio pastoral”.

“O presidente da Conferência Episcopal Alemã aderiu ao desejo do Santo Padre que propõe que se realize um debate em Roma sobre o assunto. Marx saudou expressamente esse desejo do Santo Padre”, informa Matthias Kopp.

Por fim, “notícias segundo as quais o documento foi rejeitado no Vaticano pelo Santo Padre ou pelos dicastérios são falsas”.

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