Reduções na renda familiar aumentam evasão escolar no Brasil, aponta Banco Mundial

Sala de aula. | Foto: Pixabay

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08 Março 2018

Banco Mundial indica que jovens de 15 a 25 anos vivendo em lares afetados por quedas nos rendimentos têm 2,3% mais chances de abandonar os estudos. Entre os que têm 18 anos, o índice sobe para 4,5%. O problema preocupa porque, em anos recentes, mais brasileiros viram sua renda encolher.

A reportagem é publicada por ONU Brasil, 08-03-2018.

Segundo os números do organismo financeiro, de 2013 para 2014, o número de domicílios que enfrentaram cortes no orçamento familiar passou de pouco mais de 20% em 2013 para quase 30% em 2014.

Reduções da renda estão por trás de aumentos nas taxas de evasão escolar do Brasil. É o que revela um novo relatório do Banco Mundial, que indica que jovens de 15 a 25 anos vivendo em lares afetados por quedas nos rendimentos têm 2,3% mais chances de abandonar os estudos. Entre os que têm 18 anos, o índice sobe para 4,5%. O problema preocupa porque, em anos recentes, mais brasileiros viram sua renda encolher.

Segundo os números do organismo financeiro, de 2013 para 2014, o número de domicílios que enfrentaram cortes no orçamento familiar passou de pouco mais de 20% em 2013 para quase 30% em 2014.

É a partir dos 17 anos de idade que as consequências das quedas na renda são mais pronunciadas — na comparação com famílias que não têm reduções orçamentárias. Dois momentos de pico de evasão escolar foram identificados pelo Banco Mundial — na passagem para a maioridade e, mais tarde, aos 24 anos. As estimativas foram calculadas a partir de dados do período 2005-2015.

A taxa de abandono escolar ficou poucos pontos acima dos 30% entre os jovens de 18 anos que não sofreram cortes na renda. Entre os que experimentaram choques orçamentários, o índice chegou a quase 40%. Quando considerados os jovens de 24 anos sem queda no orçamento familiar, a proporção de evasão foi de 35%. Mas a taxa ultrapassa os 40% entre os estudantes de domicílios que tiveram a renda prejudicada.

Gargalo da maioridade

O Banco Mundial lembra que o Brasil avançou na educação ao longo das últimas décadas, alcançando uma taxa de matrícula no Ensino Médio de 63%. Em dez anos, aumentou 18% o índice de conclusão desse nível educacional entre jovens com 20 a 29 anos.

Os avanços, porém, coexistem com altas taxas de evasão escolar em determinados momentos da vida dos alunos. Em 2013, 81% dos adolescentes de 17 anos frequentavam um centro de ensino. No mesmo ano, entre os que tinham 18 anos, a proporção dos matriculados caía para 50,7%. Para os jovens de 19 anos, a taxa era de 37,3% e, para os de 20, 31,3% — quase um terço do número de meninos e meninas de 15 anos inscritos em alguma instituição de ensino.

Esses índices incluem as mais variadas situações financeiras — incluindo os jovens em situação de corte no orçamento familiar e os que não passam por esse problema. Quando avaliado o decênio 2005-2015, a taxa de evasão escolar geral sobe de 15% para 34%, dos 16 para os 17 anos de idade.

Como as taxas de abandono são mais altas entre os que têm quedas na renda, o Banco Mundial acredita que esse público tem chances inferiores de prosseguir com os estudos após o Ensino Médio.

Apesar da correlação negativa entre queda na renda e evasão escolar, o organismo financeiro não identificou oscilações significativas no índice de abandono dos estudos quando integrantes da família responsáveis pela renda eram demitidos.

De acordo com o Banco Mundial, isso se deve à alta taxa de participação dos trabalhadores brasileiros no setor formal da economia — o que lhes garante acesso a pensões e seguros-desemprego, evitando uma redução de 100% na renda familiar nos casos em que há somente um provedor de rendimentos. Dados de 2014 coletados pelo Banco Mundial indicam que a informalidade afetava 35% da mão de obra empregada no Brasil.

O relatório do Banco Mundial compara a realidade brasileira com os cenários no México e na Argentina. Acesse a publicação na íntegra clicando aqui.

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