Em defesa dos migrantes: o discurso do jesuíta Michael Czerny

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06 Setembro 2017

Em preparação ao “Global Compact on Migration”, o pacto global que a ONU pretende adotar até 2018 para uma gestão segura, ordenada e regular do fenômeno migratório, nessa segunda-feira, 4 de setembro, abriu-se, no escritório das Nações Unidas de Viena, a quinta sessão temática sobre o tráfico de migrantes, o tráfico de pessoas e as formas contemporâneas de escravidão, com atenção particular à identificação, à proteção e à assistência das vítimas.

A reportagem é do jornal L’Osservatore Romano, 05-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dos trabalhos, que se concluem nesta terça-feira, 5 de setembro, participa o jesuíta Michael Czerny, subsecretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que fez um discurso no qual expressa a profunda consideração que a Igreja dedica a essas questões, pois “causam sofrimento a um número cada vez maior” de pessoas desafortunadas em todas as partes do mundo.

Um cenário complexo, explica o religioso, citando a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Migrantes de 2016, “tristemente caracterizado por ‘novas formas de escravidão geridas por organizações criminosas que vendem e compram homens, mulheres e crianças’”.

De fato, “apesar dos grandes resultados obtidos graças a acordos internacionais, os requerentes de asilo e os migrantes que arriscam a vida em busca de segurança e de uma nova casa, estão cada vez mais vulneráveis”.

A esse respeito, o subsecretário elencou entre os fatores de vulnerabilidade, além da fome e das guerras, “a pobreza, o desemprego, a falta de educação, a discriminação contra as mulheres e as meninas”.

Por isso, espera da parte da comunidade internacional um maior compromisso dentro da sociedade civil a fim de “reconhecer as forças da demanda”, por exemplo, aquela que diz respeito à prostituição ou ao trabalho mal pago, que alimenta o tráfico de seres humanos, tornando-o uma atividade muito lucrativa.

De acordo com dados recentes, o número das vítimas desse mercado obscuro “continua crescendo de modo alarmante”: 51% delas são mulheres, e 20%, meninas.

Em suma, trata-se de “uma indústria multibilionária entre as maiores do mundo, com estimativas que vão de 21 a 46 milhões de indivíduos envolvidos, entre vítimas de trabalho forçado, endividamento, exploração sexual e muito mais”.

Daí o apelo do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral para que “a escravidão não seja um aspecto inevitável das atividades econômicas”. Na verdade, estas últimas “deveriam estar na vanguarda da luta e da prevenção desse absurdo”.

Entre os instrumentos de combate sugeridos: pesquisas investigativas coordenadas em nível internacional, compartilhamento de informações, entrega dos traficantes nas mãos da justiça e proteção jurídica para os migrantes, até a instituição de políticas pela proteção da dignidade das pessoas envolvidas.

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