Papa Francisco. “Os cristãos são chamados a caminhar na contracorrente”

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04 Setembro 2017

“Peçamos a Maria Santíssima para que nos ajude a não ter medo da cruz, mas de uma cruz com Jesus crucificado: não uma cruz sem Jesus – disse Francisco durante o Angelus. Também hoje a tentação continua a ser a de voltar a seguir um Cristo sem cruz. Além disso, há a tentação de ensinar a Deus o caminho correto. Com uma grande sabedoria sempre válida, Jesus desafia a mentalidade e os comportamentos egocêntricos”.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada por Vatican Insider, 03-09-2017. A tradução é de André Langer.

O Papa disse que “nós somos chamados a não nos deixar absorver pela visão deste mundo, mas a ser cada vez mais conscientes da necessidade de caminhar na contracorrente e ladeira acima”. Francisco explicou que “Jesus nos recorda que seu caminho é o caminho do amor, e não há verdadeiro amor sem o sacrifício de si”.

Aos fiéis reunidos na Praça São Pedro para a oração mariana, o Pontífice recordou “a regra de ouro que Deus inscreveu na natureza humana criada em Cristo”. Ou seja, “a regra de ouro de que só o amor dá sentido e felicidade à vida”. De fato, recordou Jorge Mario Bergoglio, “gastar os próprios talentos, as próprias energias e o próprio tempo somente para salvar, proteger e realizar-se, leva na verdade a perder-se, ou seja, a uma existência triste e estéril”. E, prosseguiu Francisco, “se, ao invés, vivemos para o Senhor e estabelecemos a nossa vida no amor, como Jesus fez, poderemos saborear a verdadeira alegria”.

O Papa refletiu sobre a passagem do Evangelho do dia, que é a “continuação do de domingo passado, que ressaltava a profissão de fé de Pedro, rocha sobre a qual Jesus quer construir a sua Igreja”. E, comentou o Pontífice: “hoje, em contraste estridente, Mateus nos mostra a reação do próprio Pedro quando Jesus revela aos discípulos que em Jerusalém deverá sofrer, ser morto e ressurgir”.

Então, Pedro leva o Mestre para um lado e o repreende, porque isso, lhe diz, não pode acontecer a Ele, a Cristo. Mas Jesus, por sua vez, repreende Pedro com palavras duras: “Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens”. Um pouco antes, continuou o Papa, “o apóstolo era uma pedra sólida para que Jesus pudesse construir a sua comunidade, e logo depois torna-se um obstáculo, uma pedra não para construir, mas uma pedra de tropeço no caminho do Messias. Jesus sabe muito bem que Pedro e os outros ainda têm muita estrada para percorrer para se tornarem seus apóstolos”.

E nesse momento, “o Mestre se dirige a todos aqueles que o seguiam, apresentando-lhes claramente o caminho a ser percorrido: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. E Jesus exorta: “Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la”. Pelo contrário, “hoje há quem queira ensinar a Deus o caminho justo”.

Na celebração da Eucaristia “revivemos o mistério da cruz” e “toda vez que participamos da Santa Missa, o amor de Cristo crucificado e ressuscitado se comunica a nós como alimento e bebida, para que possamos segui-lo no caminho de todos os dias, no serviço concreto aos irmãos.”

Francisco invocou a “Maria Santíssima, que seguiu Jesus até o Calvário, para que nos acompanhe e nos ajude a não ter medo de sofrer por amor a Deus e aos irmãos, porque este sofrimento, pela graça de Cristo, é fecundo de ressurreição”.

Após ter recitado o Angelus, Francisco voltou a manifestar sua “proximidade espiritual para com as populações do sul da Ásia, que ainda sofrem as consequências das enchentes”, e expressou sua “viva participação no sofrimento dos habitantes do Texas, atingidos por um furacão e pelas fortes chuvas, que provocaram vítimas, milhares de deslocados e consideráveis estragos materiais”.

Pediu a “Maria Santíssima, Consoladora dos aflitos, que obtenha do Senhor a graça do consolo para todos os peregrinos “que vieram da Itália e de diversos países. Em especial, os fiéis das Ilhas Canárias, os crismados de Mariano al Brembo, de Padria e de Prevalle, os adolescentes de Chizzola, de Cagliari e de Bellagio”, desejando-lhes um bom domingo, além de pedir, como de costume, que “não se esqueçam de rezar por mim”.