Aprender a perder

Fonte da imagem: Marko Rupnik

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01 Setembro 2017

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 16,21-27, que corresponde ao 22° Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico.

O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

O ditado está registrado em todos os evangelhos e se repete até seis vezes: “Se alguém quer salvar a sua vida, a perderá, mas quem a perde a encontrará por mim”. Jesus não está falando de uma temática religiosa. Ele está propondo aos seus discípulos qual é o verdadeiro valor da vida.

O ditado está expresso de forma paradoxal e provocativa. Há duas formas muito diferentes de orientar a vida: uma conduz para a salvação, a outra para a perdição. Jesus convida todos a seguir o caminho que parece mais duro e menos atrativo, pois conduz o ser humano à salvação definitiva.

O primeiro caminho consiste em se aferrar à vida vivendo exclusivamente para si mesmo: fazer do próprio “eu” a razão última e o objetivo supremo da existência. Este modo de viver, buscando sempre a própria ganância e vantagem, conduz o ser humano à perdição.

O segundo caminho consiste em saber perder, vivendo como Jesus, abertos ao objetivo final do projeto humanizador do Pai: saber renunciar à própria segurança ou ganância, buscando não somente o próprio bem, mas também o dos outros. Este modo generoso de viver conduz o ser humano à sua salvação.

Jesus está falando desde sua fé num Deus Salvador, mas suas palavras são uma forte advertência para todos: Que futuro espera uma Humanidade dividida e fragmentada, onde os poderes econômicos buscam seu próprio benefício; os países, seu próprio bem-estar; os indivíduos, seu próprio interesse?

A lógica que dirige nestes momentos o caminho do mundo é irracional. Os povos e os indivíduos estão caindo progressivamente na escravidão de “ter sempre mais”. Tudo é pouco para dar-se por satisfeito. Para viver bem, é necessário sempre mais produtividade, mais consumo, mais bem-estar material, mais poder sobre os outros.

Procura-se insaciavelmente o bem-estar, mas será que não há uma progressiva desumanização? Quer-se “progredir” cada vez mais, mas qual é o progresso que leva a abandonar milhões de seres humanos na miséria, na fome e na desnutrição? Por quantos anos será possível desfrutar desse bem-estar, fechando as fronteiras aos famintos?

Se os países privilegiados só procuram “salvar” seu nível de bem-estar, se não se quer perder o potencial econômico, jamais se darão passos em direção a uma solidariedade a nível mundial. Mas não nos enganemos. O mundo será cada vez mais inseguro e mais inabitável para todos e também para nós. Para salvar a vida humana no mundo, é preciso aprender a perder.

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