Cardeal Pell, ministro das finanças do Vaticano, nega acusações de abuso

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29 Julho 2016

O ministro das finanças do Vaticano, Cardeal George Pell, negou com veemência as mais recentes acusações de que ele teria abusado sexualmente de crianças muitos anos atrás como padre.

Australiano, terceiro na hierarquia vaticana depois do Papa Francisco e do secretário de Estado Petro Parolin, Pell é a mais alta autoridade da Igreja Católica a ser acusado de abusar sexualmente de menores.

A reportagem é de Josephine McKenna, publicada por National Catholic Reporter, 28-07-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa

“Estas alegações não são verdadeiras. Eu as nego absolutamente”, contou aos jornalistas em Roma nesta quinta-feira o religioso de 75 anos.

Nesta semana, uma reportagem exibida na emissora Australian Broadcasting Corp. afirmou que a polícia, no estado de Victoria, estava investigando acusações segundo as quais Pell tocara meninos de forma inapropriada e, num incidente em separado, teria aparecido nu em frente a três meninos em um vestiário de um clube de surfe no fim da década de 1980.

“Afirmações não provadas devem ser colocadas via procedimentos adequados”, disse Pell. “Eu estou preparado para cooperar (...) Não vou cooperar com o julgamento através da imprensa. Penso que é injusto e inadequado”.

Depois de uma investigação interna feita pela Igreja, Pell, ex-arcebispo de Sydney, foi inocentado de uma acusação segundo a qual ele teria abusado um menino de 12 anos num acampamento na década de 1960.

O Vaticano não quis comentar a respeito das acusações recentes feitas pela emissora de tevê australiana.

O grupo de sobreviventes de abuso sexual SNAP pediu que todos “com suspeitas ou conhecimento” de qualquer suposta irregularidade cometida por Pell dirijam-se às autoridades civis, não a figuras eclesiásticas.

“Após uma extensa investigação, a polícia considerou que os relatos de oito acusadores são críveis o suficiente, já que estão apresentando provas aos promotores”, disse David Clohessy, presidente da SNAP, em nota. “E isso diz muito”.

Anthony Fisher, arcebispo de Sydney, contou aos repórteres que as acusações não correspondem com o Pell que ele conheceu.

“Ele tem um histórico de liderança na luta contra o abuso infantil, e foi o primeiro bispo no mundo a implementar um processo por meio do qual acusações desse tipo seriam investigadas por um encarregado independente”, declarou Fisher.

Pell tem exercido um poder significativo desde que foi nomeado prefeito da Secretaria para a Economia por Francisco em 2014.

Há tempos Pell é acusado de proteger padres pedófilos na Austrália. No início do ano, ele prestou um longo depoimento via videoconferência a um inquérito australiano que investiga abusos sexuais clericais, depoimento dado direto de Roma depois que os médicos disseram que ele não estava bem o suficiente para testemunhar em Sydney.

No final da audiência, o padre jesuíta Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, elogiou Pell por seu testemunho “digno e coerente”.