Césio de Fukushima é encontrado a 500 km da central

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19 Novembro 2011

A crise nuclear vivida pelo Japão desde o terremoto e o tsunami que, em 11 de março, devastaram a costa nordeste do Japão, se depara com uma nova surpresa negativa. Uma equipe internacional de pesquisadores garante que o césio radiativo que vazou de central de Fukushima 1, gravemente danificada, poderia ter contaminado o solo na ilha de Hokkaido e zonas do oeste do arquipélago como Chugoku e Shikoku, situadas a mais de 500 quilômetros.

A reportagem é de José Reinoso e está publicada no jornal espanhol El País, 16-11-2011. A tradução é do Cepat.

A equipe simulou a difusão das partículas contaminantes, combinando as pautas atmosféricas com medições da radioatividade nacional feitas durante um mês a partir de 20 de março, oito dias depois da explosão de hidrogênio registrada na central. E conclui, como se afirma na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, que o material radioativo pode ter se acumulado no solo devido às chuvas, mas que a contaminação não é suficientemente alta para que seja preciso limpar o solo. A densidade de radiação por quilograma chegou a 250 becqueréis no leste de Hokkaido, e a 25 nas montanhas do oeste do Japão. O césio 137 tem um período de semidesintegração de 30 anos, razão pela qual afeta o meio ambiente durante décadas.

Entretanto, os pesquisadores garantem que os níveis de radiação estimados restringirão seriamente a produção de alimentos no leste do município de Fukushima – já que tem concentração de césio 137 de 2.500 becquereis por quilograma – e dificultará a agricultura nas províncias vizinhas, embora os níveis detectados estejam dentro dos limites legais.

"O município de Fukushima, em seu conjunto, está altamente contaminado", assinala o estudo, segundo a France Press. O limite permitido no Japão de concentração no solo em que se cultiva arroz da soma de césio 134 e césio 137, que são produzidos sempre juntos, é de 5.000 becqueréis por quilo. "O leste de Fukushima excedeu este limite e alguns municípios vizinhos, como Miyagi, Tochigi e Ibaraki, estão parcialmente próximos do limite". As concentrações reais poderiam ser, além disso, superiores, segundo alguns cientistas.

Em Fukushima e nas províncias próximas, as autoridades já fazem testes para ver se existem vestígios de contaminação nos produtos antes de permitir sua entrada no mercado. De fato, a radioatividade do solo em Tóquio – 240 km ao sul de Fukushima 1 – obrigou o Governo a proibir a venda de folhas de chá cultivadas na zona, e alguns colégios da capital e arredores colocaram em prática medidas de descontaminação do solo como tirar a camada mais superficial de terra.

O Japão está em alerta desde o desastre nuclear, já que a partir de então sempre houve vazamentos radioativos em Fukushima 1.