Madeireiros voltam a invadir PDS Esperança em Anapu

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27 Junho 2011

Madeireiros invadiram a área dos assentados do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, em Anapu, no último sábado, e retiraram ilegalmente uma grande quantidade de madeira do local.  Segundo a denúncia feita pelas lideranças do Comitê Dorothy Stang e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), a madeira é a mesma que havia sido apreendida em ação do Ibama e Polícia Federal, no mês de janeiro deste ano, e que estava na Vicinal 1 do PDS.  Segundo acusa uma das líderes do Comitê Dorothy, irmã Jane, várias operações estão sendo realizadas pela Justiça paraense desde o início do ano, com o objetivo de evitar que o desmatamento ilegal continue ocorrendo no Estado.  Segundo ela, durante uma operação realizada no início do ano, um homem conhecido por Júnior da Semente foi intimado e assinou termo se comprometendo a não entrar mais no PDS - o mesmo onde foi morta irmã Dorothy.

A reportagem é do jornal O Liberal, 27-06-2011.

Irmã Jane conta ainda que este mesmo homem foi o responsável pela invasão do último sábado.  "Os trabalhadores e capangas que retiram a madeira desde a noite de ontem servem a ele (Júnior da Semente)", denuncia.  Ela diz reconhecer o madeireiro através do veículo utilizado pelo mesmo.  "A única caçamba vermelha na área que conhecemos e que está carregando a madeira é do mesmo Júnior da Semente", acusa, enfatizando que depois do conflito entre madeireiros e assentados, o Incra construiu uma guarita na entrada do PDS Esperança. Jane conta ainda que, logo que os veículos entraram na área dos assentados, por volta de 1h30 da madrugada, ela fez contato telefônico com o deputado estadual Cáudio Puty (PT).  "Na ocasião, Puty prometeu falar com o delegado geral de Polícia do Estado", diz ela.

O grupo que invadiu o PDS Esperança foi composto por mais de dez pessoas.  Os madeireiros tinham caminhões e equipamento para a remoção das toras, que foram apreendidas pela Polícia Federal após denúncias da comunidade.  De acordo com Puty, a comunidade se preparava para reagir aos ataques dos madeireiros e, segundo ele, novas mortes podem ocorrer.  "A delegacia de polícia do município até este momento (9h47 de domingo) está fechada e ninguém consegue fazer a denúncia.  Os comunitários já informaram o Ministério Público Federal", contou, enfatizando que falou com o Delegado Geral da Polícia Civil do Pará, Dr. Nilton Atayde.  Conforme afirmou o padre José Amaro Lopes de Souza - que faz parte do movimento, os invasores deixaram o local, com dezenas de toras, por volta das 17h de ontem.