"A Igreja oficial abandonou a doutrina de Cristo", afirma Fraternidade São Pio X

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16 Julho 2012

A Fraternidade São Pio X evita tornar oficial a sua nova ruptura com Roma para respeitar os prazos.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada no sítio Religión Digital, 15-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"A Igreja oficial definha, abandonou a doutrina de Cristo, postulando-se como sócia do mundo ateu". O padre Izaguirre, sacerdote da Fraternidade São Pio X, dirigiu a Eucaristia desse domingo que foi celebrada na paróquia que essa congregação mantém na da Avenida de Barcelona, em Madri, na Espanha.

Uma missa muito frequentada – mais de uma centena de pessoas, os homens bem vestidos, as mulheres maquiadas com um pequeno véu sobre a cabeça – que cumpriu com todos os cânones da ortodoxia. A celebração de costas ao povo, os cantos e as orações em latim – exceto as leituras e a homilia –, a consagração impregnada de misticismo e a comunhão de joelhos e em absoluto silêncio. Nada de ofertório, participação de algum fiel na leitura ou na distribuição da comunhão, não houve preces nem se compartilhou a paz.

Também não houve, como era de esperar, um pronunciamento oficial anunciando o "não" dos lefebvrianos à última proposta de Roma. Comentou-se a respeito na reunião do dia anterior, embora, por fim, segundo confirmaram membros da congregação, optou-se por esperar para que a Santa Sé receba a resposta, e o superior da congregação, Bernard Fellay, fale em público.

O que ocorreu foi uma homilia cheia de intenções, em que o padre Izaguirre denunciou os "falsos profetas" que, na Igreja oficial, anunciam "uma doutrina que não pertence à de Cristo" e que "nos rodeiam por todas as partes". "No nosso tempo, ocorre também uma perseguição de vozes no interior da Igreja". Vozes, "dentro da alta hierarquia, que defendem doutrinas opostas à doutrina perene da Igreja".

"Na gravíssima crise conciliar, maior até do que as duas guerras mundiais – continuou o padre Izaguirre –, a crise da Igreja afeta a todos os seus estamentos e a própria doutrina". Nesse ponto, o sacerdote reivindicou o trabalho de seu fundador, Marcel Lefebvre, a quem "Deus sugeriu criar a irmandade, como árvore do Senhor, para dar frutos firmes".

O atual superior é, para os lefebvrianos, "um tempo de crise, de depuração", em que a Igreja Romana "se postulou como sócia do mundo ateu". Toda uma declaração de intenções perante o "não" à aceitação do Concílio Vaticano II, condição indispensável para que a fraternidade regresse para Roma e ponha fim ao último grande cisma na Igreja Católica.