A individualização das crenças e das práticas

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09 Julho 2012

Atravessado por muitas tensões, confrontado com a individualização das crenças e das práticas, o catolicismo francês é analisado pelos sociólogos.

A reportagem é de Philippe Clanché, publicada no sítio da revista Témoignage Chrétien, 03-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na França, são poucos os sociólogos que examinam o catolicismo, esse "objeto de bizarria" [objet de bizarrerie], como escreve Danièle Hervieu-Léger no prefácio do livro coletivo Catholicisme en tensions. Dando espaço a quem realiza esse trabalho indispensável para a compreensão atual do catolicismo francês, esse livro marca um momento importante nesse âmbito.

Vamos nos deter ao primeiro artigo "Pluralidade e unidade nos catolicismos franceses", assinado por Philippe Portier, que observa a individualização do crer, retomando a definição dada por Raymond Lemieux (do Quebec): "apropriação de uma performance pessoal na economia do sentido". O estudioso de Rennes estuda a "cristalização das redes", as dos "católicos da abertura" e as dos "católicos da identidade", hoje dominantes.

Ele também relata como, diante dessas evoluções da base e com as aquisições do Concílio, pôs-se em ação na hierarquia uma "política de negociação". Uma política que revela, no entanto, uma vontade de unificação do corpo católico. Porque, mesmo que haja consultas, no fim, é o bispo quem decide, e as propostas originais permanecem esquecidas na maior parte dos casos.

A tensão, em todo o livro, é justamente entre a lógica centrípeta do episcopado (busca da unidade) e a busca centrífuga dos leigos, na diversidade.

Também é interessante a parte "Corpo, intimidade, sexo", que evoca em particular o espaço dos homossexuais, das sacerdotisas e das meninas no serviço ao altar, além da seção "Cultura e catolicismo", que aborda o romance policial e a arte contemporânea.

Esse corpus muito diversificado, que evita as disputas pró ou contra a instituição, contribui utilmente para a compreensão da realidade do catolicismo na França.

  • C. Béraud, F. Gugelot e I. Saint-Martin (orgs.). Catholicisme en tensions, 318 páginas.