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02 Dezembro 2013

De acordo com fontes israelenses relatadas pela CNN, o Papa Francisco irá à Terra Santa nos dias 25 e 26 de maio do ano que vem.

A nota é de Sandro Magister, publicada no blog Settimo Cielo, 28-11-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A visita papal havia sido recentemente confirmada para 2014 – mas sem uma data definitiva – pelo patriarca de Jerusalém dos latinos, Fouad Twal.

Em todo caso, o fato de Jorge Mario Bergoglio estar pensando há muito tempo nisso, até mesmo em termos práticos, foi certificado nos últimos dias por Abraham Skorka, o rabino argentino cuja forte amizade com o então arcebispo de Buenos Aires produziu um livro com um diálogo entre os dois, traduzido em várias línguas: Sobre o céu e a terra.

Em uma entrevista à revista dos judeus italianos Pagine Ebraiche, reproduzidas na íntegra pelo L'Osservatore Romano dos dias 25-26 de novembro, Skorka contou que, entre o fim de setembro e o início de outubro, enquanto estava em Roma por ocasião de um encontro pela paz promovido pela Comunidade de Santo Egídio, ele tinha sido "convidado pessoal de Bergoglio em Santa Marta", e então:

"Estivemos lado a lado por alguns dias, compartilhando as três refeições diárias e outros momentos, tanto públicos quanto privados. Falamos de tudo: do diálogo, mas também da viagem que faremos juntos a Israel. [...] Celebramos junto o início do Shabbat. Ele estava ao meu lado quando eu recitei o kidush [bênção sobre o vinho] e reparti as challot [pães judeus] que nos foram fornecidas pelo embaixador de Israel junto à Santa Sé, Zion Evrony. Foram dias inesquecíveis, e eu acho que eles têm um valor que vai além do afeto e da confiança que sempre nos ligaram".

A entrevista também é interessante pelas duras críticas que Skorka faz contra o "rabinato mundial em todos os seus componentes", que, em sua opinião, "está passando por um momento de crise profunda e dilacerante", seja "em Israel", seja "em todas as comunidades da Diáspora".

"A Igreja está em crise, nós estamos em crise", continua Skorka, indicando o seu "modelo de judaísmo ideal" naquele "defendido pelo rabino Abraham Joshua Heschel".

Mas, ao estabelecer um paralelo entre os seus propósitos de reforma do judaísmo e os desejados para a Igreja Católica pelo Papa Francisco, Skorka responde assim à pergunta sobre qual é "o mais significativo entre os tantos sinais" até agora recebidos do atual pontífice:

"Eu reconheço um grande valor às intervenções do Bergoglio contra o proselitismo. É um ponto sobre o qual bate com força e com uma ênfase toda especial, e isso tem ainda mais destaque se considerarmos o marco de evangelização dentro do qual essas intervenções são pronunciadas. Bergoglio me esclareceu que o conceito já tinha sido explicitado pelo seu antecessor. A incisividade a respeito do atual papa, no entanto, é maior. De fato, devemos lembrar como a evangelização, até pouco tempo atrás, era inevitavelmente associável ao proselitismo. Agora, ao invés, o papa fala de aproximar apenas os católicos da fé".

Com efeito, Bento XVI tinha se manifestado sobre a questão em uma passagem do seu livro-entrevista Luz do mundo, a propósito da modificação introduzida por ele na oração pelos judeus da Sexta-Feira Santa no rito romano antigo:

"Eu a modifiquei de tal modo que nela estivesse contida a nossa fé, ou seja, que Cristo é a salvação para todos, que não existem duas vias de salvação, e que, portanto, Cristo também é o salvador dos judeus, e não só dos pagãos. Eu também quis evitar que se rezasse diretamente pela conversão dos judeus em sentido missionário, mas para que o Senhor apresse a hora histórica em que todos seremos unidos".

Agora, o rabino Skorka nos informa que o Papa Bergoglio é "mais incisivo" do que o antecessor em rejeitar o "proselitismo". Mas há algo que não se encaixa quando ele conclui que "agora, ao invés, o papa fala de aproximar apenas os católicos da fé".

Apenas os católicos? O L'Osservatore Romano imprimiu isso sem pestanejar. Mas quando o Papa Francisco formulou tal absurdo?