“As Escrituras ensinam o bom pastor sobre suas ovelhas”. Entrevista com Antonio Spadaro

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

20 Outubro 2014

“É um “work in progress”, a Igreja está aberta à discussão sobre temas centrais para a vida das pessoas e reconheceu o profundo valor das convivências e do matrimônio civil. Foram dados grandes passos em frente”, sustenta o diretor de “Civiltà Cattolica”, padre sinodal, Antonio Spadaro.

A entrevista é de Giacomo Galeazzi, publicada por Vatican Insider, 19-10-2014. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis a entrevista.

Que Igreja emerge no final deste Sínodo?

O Sínodo tratou de temas compromissivos, precisamente como queria o Papa: com grande liberdade de expressão e com humilde escuta dos outros, sem nenhum temor de expressar-se. A Igreja não sai como um monólito, com um documento fruto de mediações. E não teme aparecer também nas suas contraposições. No Sínodo se respirou um clima quase conciliar, porque não se tratou somente deste ou daquele tema, mas do que seja a Igreja, qual seja sua missão hoje, e qual o valor dos sacramentos. Viu-se uma Igreja ora apaixonada pelos desafios, ora uma Igreja um pouco bloqueada e temerosa.

O texto tem sido um ringue?

Do Sínodo se sai com uma bateria de textos que merecem serem todos lidos, a começar pelo questionário dos fiéis. Foram publicadas também as discussões de grupo, com as diferenças e as tensões. Tudo foi transparente e o método, livre e aberto, novo. Em sua maioria absoluta o Sínodo expressou uma abertura ao debate sobre as grandes questões da vida de casal, embora sobre alguns temas não se tenha alcançado a maioria qualificada.

E a conta final?

A votação da mensagem demonstrou que há um percentual de pastores que não aprovaram o fato de certificar o diálogo sobre aqueles temas. Esta riqueza poliédrica de debate é agora remetida à discussão nas Igrejas locais. O Papa quis que o Relatório fosse publicado imediata e integralmente com o percentual dos votos, de modo que as pessoas se dêem conta de tudo.

O Papa tem sido claro...

É uma reflexão que pede aos bispos de entrarem no processo de discussão e de discernimento. O Papa fez a leitura espiritual de todo o processo sinodal com os seus impulsos e seus golpes de parada. Francisco ofereceu a imagem de Cristo que come com os ladrões e as prostitutas como modelo para o exame de consciência dos pastores. E sublinhou, sobretudo, que o Evangelho é pão fresco e bom que não pode ser transformado em pedras a serem jogadas contra os pecadores, os débeis e os enfermos.