Papa Francisco, o novo líder da América Latina

Mais Lidos

  • Em vez de as transformações tecnológicas trazerem mais liberdade aos humanos, colocou-os em uma situação de precarização radical do trabalho e adoecimento psicológico

    Tecnofascismo: do rádio de pilha nazista às redes antissociais, a monstruosa transformação humana. Entrevista especial com Vinício Carrilho Martinez

    LER MAIS
  • A Espiritualidade do Advento. Artigo de Alvim Aran

    LER MAIS
  • Desatai o futuro! Comentário de Adroaldo Palaoro

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

14 Mai 2015

O continente sul-americano confia em Bergoglio. Jamais ele deixou de seguir a política argentina. Mas, para o Papa Francisco não é somente uma questão de coração. Desde a Conferência geral do Episcopado Latino-Americano em Aparecida, no ano de 2007, Bergoglio trabalhou por um novo protagonismo da Igreja na América Latina. E agora, a dois anos da eleição ao sólio pontifício, se pode dizer que o Pontífice argentino se coloca como um verdadeiro e próprio líder daquele continente.

O Papa Francisco as traçou claramente as linhas da “política externa” da Santa Sé desde o seu primeiro discurso ao corpo diplomático logo após a eleição e nas subsequentes intervenções em 2014 e 2015: luta à pobreza, defesa da justiça, tutela dos direitos humanos e do direito humanitário nas zonas de guerra, liberdade religiosa, apoio a migrantes e refugiados. Temas que repetiu no recentíssimo encontro com o Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel.

O comentário é de Ignazio Ingrao, jornalista que acompanha os assuntos do Vaticano, publicado no sítio da revista Panorama, 12-05-2015. A tradução é de Benno Dischinger.

Um planeta de cabeça para baixo

O mundo para o Papa Francisco é um mundo de cabeça para baixo onde no centro ele situa as periferias. Disso resulta um novo protagonismo para a América Latina, a qual registra atualmente taxas de crescimento esquecidas no Velho Continente. Mas, que ainda deve superar profundas desigualdades.

Desde a primeira viagem ao Brasil, por ocasião da Jornada mundial da Juventude, até o encontro, nos dias passados, com Raul Castro, Bergoglio mostrou uma grande atenção e sensibilidade pelos temas mais urgentes que dizem respeito à América do Sul.

Por isso, no seguimento de uma profunda amizade com o cardeal de Havana, Jaime Lucas Ortega y Alamino, o Pontífice desempenhou uma mediação discreta, porém decisiva para a reabertura das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos.

E agora está decidido a acompanhar a transição, evitando que poucos, sem escrúpulos, possam aproveitar-se das oportunidades oferecidas pelas aberturas do regime.

Entrementes a Santa Sé, sob o mpulso do Pontífice, está trabalhando na superação das antigas tensões entre Argentina e Chile. Como também para encontrar uma ordem política mais estável, reduzindo os protagonismos e as asperezas de líderes como Evo Morales.