Polônia. O Vaticano repete os erros da Ostpolitik, diz presidente da Conferência Episcopal do país

O presidente da Conferência Episcopal Polonesa, D. Stanisław Gądecki. (Foto: Reprodução | Wikimedia Commons)

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22 Setembro 2023

Presidente da Conferência Episcopal Polonesa, D. Stanisław Gądecki critica a posição do Vaticano sobre a agressão russa contra a Ucrânia. A Rússia tenta restaurar a área de influência da URSS.

A reportagem é publicada por Il Sismografo, 21-09-2023.

“A igualdade de tratamento entre agressor e vítima é um erro”, disse Dom Stanisław em entrevista à revista católica alemã Die Tagespost. “Parece uma repetição dos erros da chamada Ostpolitik nos tempos do comunismo. Se a Rússia ganhasse a guerra, não desistiria da sua ambição de restaurar a esfera de influência da União Soviética. Temos uma outra guerra na Europa". São palavras do Arcebispo Metropolitano de Poznań, D. Stanisław Gądecki. O prelado observou que o problema é a “Rússia imperial”, que tem travado guerras quase constantemente desde a queda da União Soviética. “Desta vez nega à nação ucraniana o direito de existir, o que na linguagem do direito internacional é chamado de ‘crime de genocídio'”, observou o religioso, que admite não saber “o que precisa acontecer para que o espírito russo mude”.

“Pouca coisa mudou na situação desesperadora da Igreja”

O presidente da Conferência Episcopal sublinhou também que a chamada Ostpolitik do Vaticano, ou política para o Leste, é uma das questões mais controversas da realidade eclesiástica do século XX. Alguns veem-na (e viram-na) como uma tentativa necessária da Igreja de manter contato com os comunistas e de manter o cuidado pastoral, acordando condições aceitáveis e candidatos ao episcopado. Outros veem-na (e viram-na) como uma tentativa falhada de obter favores de um opositor ideológico à custa da própria Igreja, ou mesmo uma traição daqueles que resistiram no terreno, por vezes com grande custo.

O chefe do episcopado polaco lembrou que na década de 1960 os negociadores papais conseguiram pelo menos preencher vários bispados vagos com negociações, mas com candidatos aprovados pelo Estado, muitos dos quais aparentemente trabalhavam para os serviços de segurança dos regimes comunistas.

Na verdade, depois dos acordos, pouca coisa mudou na situação desesperadora das igrejas. Padres, monges e leigos ainda eram espionados e, em alguns casos, condenados a longas penas de prisão. Foi a chamada “reeducação religiosa” e, no fim, o governo da Igreja ficou praticamente paralisado. Dom Stanisław Gądecki sublinha que, em sua opinião, os governantes comunistas, na maioria dos casos, não cumpriram suas promessas e diz que, portanto, não acredita numa política desta natureza. Seria a repetição de um erro.

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