É importante considerar toda guerra um crime. Artigo de Enrico Peyretti

Foto: PxHere

Mais Lidos

  • Observando em perspectiva crítica, o que está em jogo no aceleracionismo é quem define o ritmo das questões sociais, políticas e ambientais

    Aceleracionismo: a questão central do poder é a disputa de ritmos. Entrevista especial com Matheus Castelo Branco Dias

    LER MAIS
  • Em decisão histórica, Senado rejeita nome de Messias ao STF

    LER MAIS
  • Entre a soberania, o neoextrativismo e as eleições 2026: o impasse do Brasil na geopolítica das terras raras. Artigo de Sérgio Botton Barcellos

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

08 Abril 2022

 

"Existe talvez um matar aceitável, tolerável, e um matar criminoso, excessivo? Estamos em um duelo 'leal' de cavaleiros para merecer a mão da dama? Não mesmo! Então obedecer ao comando da guerra-crime é uma obediência-crime", escreve Enrico Peyretti, teólogo, ativista italiano, padre casado e ex-presidente da Federação Universitária Católica Italiana (Fuci), em artigo publicado por Fine Settimana, 07-04-2022.

 

Eis o artigo.

 

Acredito que estender o caráter do crime de um episódio atroz como o de Bucha para toda a guerra, para todas as guerras, seja importante, positivo e construtivo para um juízo mais claro. É cada vez mais evidente que a guerra não é regulável: não existe uma guerra-não-crime e outra guerra-crime.

 

Em 22-3-1996, tomando notas, ouvi o general Carlo Jean dizer a uma plateia de estudantes:

 

"No exército, a obediência automática é necessária porque se trata de matar." Existe talvez um matar aceitável, tolerável, e um matar criminoso, excessivo? Estamos em um duelo "leal" de cavaleiros para merecer a mão da dama? Não mesmo! Então obedecer ao comando da guerra-crime é uma obediência-crime.

 

O general Carlo Jean, que é um estudioso (militar), talvez quisesse citar Kant, quando diz que usar homens soldados como peões dos poderosos na guerra, para matar e morrer, é contra o princípio categórico da moral: a pessoa humana é sempre um fim, nunca apenas um meio. Ele queria citar Kant para dizer o que é a guerra, mas Kant diz que todos os exércitos permanentes deveriam ser dissolvidos (estou satisfeito em ver que alguns bons comentaristas voltaram a reler "Pela paz perpétua").

 

Sofri também conclui que agredir com a guerra é como fazer o massacre de Bucha.

 

Leia mais