Proteger as florestas para garantir o futuro da humanidade. A proposta do Vaticano na ONU

Foto: Wikimedia Commons

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25 Setembro 2019

O Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, chefe da delegação da Santa Sé na 74ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, participou, na manhã de segunda-feira 23 de setembro, na reunião do alto nível sobre a ação multilateral em favor da proteção das florestas tropicais. Abaixo está uma tradução de seu discurso.

O discurso é publicado por L'Osservatore Romano, 24 e 25-09-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o discurso. 

É uma honra participar deste encontro de alto nível, convocado a fim de propor ações urgentes e duradouras para proteger nossas florestas tropicais.

Todos nós reconhecemos a importância das florestas para o mundo inteiro e também para o próprio futuro da humanidade: são os mais seguros recursos renováveis do mundo e são essenciais para o desenvolvimento humano integral.

Em um tempo de crescente urbanização, sua importância única é muitas vezes dada como certa e subvalorizada, e é por isso que a educação é importante para que as pessoas não as considerem apenas como recursos a serem explorados, mas também como oásis protegidos a serem cultivados e alimentados constantemente. A urgência dessa tarefa de proteção e educação parece cada vez mais evidente, uma vez que a rápida destruição das florestas implica o risco de perda de algumas espécies e relações vitais, que podem acabar alterando todo o ecossistema.

Grande sofrimento humano deriva da destruição insensata das florestas. O impacto é sentido principalmente por aqueles que dependem das florestas como sua casa, meios de subsistência, patrimônio cultural e estruturas sociais. Cuidar da nossa casa comum e cuidar de nossos irmãos e irmãs nessa casa devem andar de mãos dadas. Precisamos de uma ecologia integral e desenvolvimento integral, que mantenham um equilíbrio entre o uso responsável das florestas para o desenvolvimento econômico e social e a proteção e conservação das mesmas para o bem daqueles que dependem delas e cuidam delas, e para o bem da humanidade e das gerações futuras. As decisões para melhorar a gestão de nossas florestas devem ser tomadas com a participação plena e significativa daqueles cujos direitos, valores e vidas sofrerão o maior impacto.

Em duas semanas, em 6 de outubro, o Papa Francisco reunirá um Sínodo de bispos de todo o mundo sobre a região amazônica do Vaticano, que se concentrará principalmente nos desafios eclesiais e pastorais da região, com especial atenção para os povos indígenas que vivem ali e as questões humanas, ecológicas, sociais e econômicas que impactam a região e, de fato, a humanidade. Muitos outros ecossistemas importantes e vastos biomas também enfrentam sérias ameaças, como a bacia do Congo, as florestas tropicais do sudeste da Ásia, além de florestas e coberturas vegetais nacionais.

No início deste mês, estive com o Papa Francisco no Madagascar, onde 21% das florestas foram perdidas desde 2001. Em uma reunião com líderes nacionais, representantes da sociedade civil e membros do corpo diplomático credenciado em Antananarivo, ele falou apaixonadamente sobre como a proteção de nossas florestas deve fazer parte do desenvolvimento integral e do cuidado de nossa casa comum.

"Sua bela ilha de Madagascar - ele disse - é rica em biodiversidade de plantas e animais, e essa riqueza é particularmente ameaçada pelo desmatamento excessivo [...]; sua degradação compromete o futuro do país e de nossa casa comum”. Muitas atividades destrutivas, observou ele, são executadas forçosamente por habitantes pobres para garantir sua sobrevivência. Ele ressaltou que, para proteger o meio ambiente, é preciso criar empregos para ajudá-los a sair da pobreza. "Não pode haver uma verdadeira abordagem ecológica ou uma ação concreta para proteger o meio ambiente - afirmou ele - sem uma justiça social que garanta o direito à destinação comum dos bens da terra às gerações atuais, mas também àquelas futuras".

A crise da rápida destruição de nossas florestas, especialmente as florestas tropicais, não é apenas ambiental, mas também social e, acima de tudo, ética. As estratégias para enfrentar isso sem demora requerem uma abordagem integrada e multilateral, que combata a pobreza e restaure a dignidade dos excluídos e, ao mesmo tempo, proteja esse dom precioso, indispensável e em risco.

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