A trágica aliança entre demagogos e massas consumidoras (e votantes)

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10 Outubro 2018

Quem redigiu o último, tremendo relatório da ONU sobre o aquecimento global?

Climatologistas. Cientistas.

A reportagem é de Michele Serra, publicada por Repubblica. A tradução é de Luisa Rabolini.

A típica elite. Quem terá a tarefa de ignorar uma vez mais esses números e essas previsões, porque são um obstáculo para a economia, penalizam o consumo, perturbam - inclusive - o bom humor?

As massas consumidoras, para as quais o futuro tem zero interesse, não porque sejam "más", mas porque o consumismo é o êxtase do presente, e a revolução tecnológica um incentivo irresistível para viver a vida como uma sucessão de momentos, um interminável agora.

Quem teria a tarefa de mediar entre a elite (cientistas) e as massas?

A política, que, no entanto, sabe muito bem que pregar sobriedade e novos estilos de vida causa perda de votos. É, portanto, aceita e promove a remoção constante da realidade: para angariar aplausos Trump diz que não é verdade que os combustíveis fósseis aproximam da catástrofe. Aos demagogos importa apenas vencer as próximas eleições, pouco se importam com as gerações futuras: elas não votam.

A trágica aliança entre demagogos e massa consumidoras (e votantes) é a mais poderosa ameaça para qualquer escrúpulo ambiental, azar se for baseado em dados, números, projeções estatísticas, vidas inteiras dedicadas ao estudo. Como qualquer tipo de competência, aquela dos climatologistas em breve será apontada nas mídias sociais como a imposição arbitrária de um lobby de agourentos, uma manobra contra o povo. Será o planeta Terra, em tempos lastimavelmente não tão distantes, que resolverá a questão. Esperamos que não brutalmente demais.

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