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06 Julho 2016


Uma das novidades do IHU em 2016 é a promoção de uma feira ecológica, a Ecofeira Unisinos, que segue no segundo semestre. Todas as quartas-feiras, das 10 às 17 horas, a configuração do corredor principal do setor B, o B 07 do Campus São Leopoldo da Unisinos, muda de cara. Entre hortaliças, frutas, pães e doces, circulam alunos e quem trabalha na Universidade, além de vizinhos que aproveitam para passar pelo campus. Os intervalos de almoço ou entre uma aula e outra vira hora de “fazer a feira”, de provar produtos de qualidade e, principalmente, de trocar ideias direto com o produtor. “Isso ficou muito bom. Sou consumidora de orgânicos e ter a feira aqui ficou muito prático para gente”, destaca Gisele Silveira, que é vigilante em uma das agências bancárias do campus.

Mas o IHU quer promover mais do que facilitar a vida do consumidor. Uma das ideias é aproximá-lo de quem produz. “Eles nos dão dicas e orientações, além vender um produto de qualidade”, completa Gisele. Francisco Klein, agricultor familiar do interior de São Leopoldo, enquanto alcança as hortaliças de Gisele e a orienta quanto à conservação, dispara: “foi muito bom trazer a feira para cá. Tem nos dano muitos retornos”.

Os retornos que seu Francisco destaca também vão além do financeiro. Outro objetivo da Feira é qualificar esses produtores, trocar experiências e trazê-los, assim como seus clientes, para outro ambiente para além das banquinhas. É nessa perspectiva que se inserem as oficinas [1], que ocorrem sempre em paralelo com a Feira, nas quartas. A jovem agricultora Camila Kauer representa bem o espírito da Ecofeira Unisinos. “Comecei a fazer feira aqui. É meu primeiro contato e estou aprendendo muito”, comemora.


Francisco não só vende, mas também dá dicas aos clientes
Fotos: João Vitor Santos/IHU

Camila deu uma guinada na vida
A história de Camila é peculiar nesse momento em que ainda se fala em êxodo rural e a destituição das pequenas propriedades por grandes empresários do agronegócio. Ela trabalhava numa loja de conveniências. “Eu me estressava muito. Trabalhava fim de semana e feriados”, recorda. O que ainda agravava seu estresse era ver os pais envelhecendo e a propriedade se depreciando. “Foi aí que decidi largar meu emprego e comecei a conhecer esse mundo dos orgânicos”. Ao lado dos pais, a garota buscou qualificação para produzir. Adorou a ideia, mas levou um susto: “não tinha dinheiro para me manter e investir na propriedade”, conta. Assim, com apoio da Emater, surgiu a ideia de apostar na panificação integral com produtos orgânicos. É uma forma rápida de produzir, gerar capital para depois investir na horta. “Foi assim que consegui logo entrar na Feira. É uma lógica muito interessante, pois assim não se vende só produtos orgânicos. Eles são de qualidade e fresquinhos. Preparamos antes de vir para cá e ainda trocamos muitas experiências enquanto vendemos”, comemora a jovem. 

Por João Vitor Santos

Nota:

[1] As palestras e oficinas em vídeo podem ser acessadas em youtube.com/user/ihucomunica (Nota da IHU On-Line)