Centenas de famílias na Costa do Marfim são obrigadas a dormir em cemitérios

Famílias tiveram suas casas destruídas | Foto: www.ladepechedabidjan.info

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25 Julho 2018

“São imagens que desafiam a compreensão humana, são a expressão da decadência social e política. Famílias, mulheres, crianças, hoje vítimas da crueldade de um sistema em que o homem e a sua dignidade não têm mais lugar”: esse é o comentário do padre Donald Zagore, teólogo marfinense da Sociedade das Missões Africanas, sobre a notícia de que centenas de famílias na Costa do Marfim são forçadas a dormir em cemitérios porque o governo decidiu derrubar as casas dos bairros pobres, onde moram as famílias mais pobres, por terem sido danificadas pelas recentes e violentas chuvas.

A nota é publicada por L’Osservatore Romano, 22-07-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Famílias que fizeram do cemitério um novo lar
Foto: Agência Fides

“Podemos realmente falar de desenvolvimento quando o ser humano é reduzido ao estado animal? Essa é uma política de desenvolvimento com um rosto desumano, sem coração”, enfatiza o religioso.

Segundo o Pe. Zagore, que está em Roma para um encontro promovido pelo Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar, “nunca nos últimos 20 anos a história da Costa do Marfim foi escrita com tanta dor, tanto sofrimento, injustiça e maldade. Rejeitados pelos homens, acolhidos pelos mortos. Essa – observa ele em uma declaração à Agência Fides – é a realidade de tantas pessoas pobres que, vivas, são rejeitadas e expulsas por outros seres vivos e que agora só encontram refúgio entre os túmulos dos cemitérios. De fato, os mortos nos seus túmulos mostram aquela humanidade que falta aos vivos, dando uma lição àqueles que se tornaram cada vez mais insensíveis à dignidade”.

Diante de tal situação, a Igreja na Costa do Marfim não fica em silêncio (além de garantir um socorro imediato às populações inundadas): “Certamente, ela não pode se limitar a levantar a voz para se opor a esse escândalo. Ela também deve tomar medidas concretas para ajudar todas as famílias que agora vivem nos cemitérios. Essa ação profética é necessária, caso contrário, todas as nossas homilias, todas as nossas teorias teológicas não terão sentido. Nunca devemos esquecer e devemos dizer forte e claramente que a Igreja é a única esperança dos pobres”, concluiu Donald Zagore.

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