Francisco denuncia a “negação, indiferença e resignação” dos governos diante da destruição do meio ambiente

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17 Novembro 2017

"Convite urgente" do Papa Francisco "para um novo diálogo sobre o modo como estamos construindo o futuro do planeta". O Pontífice enviou uma mensagem à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP23) que acontece em Bonn. Nela, ele recorda que "precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos, e as suas raízes humanas, dizem respeito e têm impactos sobre todos nós".

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 16-11-2017. A tradução é de André Langer.

"Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados por várias razões, que vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas (cf. Laudato Si’ n. 14)", denuncia o Bispo de Roma. E, como ele também observa, a "negação, a indiferença, a resignação e a confiança" são "soluções inadequadas" para o problema da destruição do meio ambiente, dado que "não ajudam na investigação honesta e no diálogo sincero e produtivo sobre a construção do futuro do nosso planeta".

"Não se pode limitar" o desafio ambiental "apenas à dimensão econômica e tecnológica: as soluções técnicas são necessárias, mas não suficientes", continua o Pontífice, que insiste que "é essencial e necessário levar atentamente em consideração também os aspectos e os impactos éticos e sociais do novo paradigma de desenvolvimento e de progresso a curto, médio e longo prazo".

Francisco termina sua mensagem pedindo "que se acelere a tomada de consciência e que se consolide a vontade de adotar decisões realmente eficazes para enfrentar o fenômeno das mudanças climáticas", não deixando de insistir, por outro lado, na importância que tem no contexto do cuidado responsável da ‘Casa Comum’ que todos compartilhamos a luta contra a pobreza e a promoção de um desenvolvimento humano integral.

O Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu, por sua vez, escreveu outra mensagem à cúpula, em que alerta políticos e diplomatas que "não é aceitável retroceder, e tampouco é justificável esperar mais" em relação à crise ambiental. É imperativo, diz ele, que "ampliem e intensifiquem seus esforços para salvar o planeta".

O hierarca lembra que "embora tantas pessoas considerem a mudança climática como uma das maiores crises que a humanidade enfrentou, há uma grande resistência para mudar" os nossos hábitos destrutivos do meio ambiente.

"Alguns continuam a ignorar os sinais dos tempos com derretimento de gelo sem precedentes, padrões climáticos extremos e um impacto devastador sobre a pobreza global", denunciou o patriarca.

Apesar das dificuldades, Bartolomeu conclui ressaltando que "todos somos chamados a avançar em nosso compromisso tanto com a sacralidade de nossos irmãos e irmãs pobres, quanto com a singularidade do último grão de areia deste planeta que chamamos de nossa Casa".

Finalmente, o cardeal Reinhard Marx enfatizou o apelo do Papa e de Bartolomeu, afirmando que "é hora de avançar na redução das emissões prejudiciais ao clima". "Os países desenvolvidos devem financiar medidas que reduzam os danos e perdas causados pelas mudanças climáticas nos países pobres", disse ele.

"Todos os políticos também devem assumir responsabilidades pela ‘Casa Comum’, como urge fazer o Papa Francisco", disse o arcebispo de Munique, e "os interesses pessoais devem ser deixados de lado". "Não é nada menos que o mundo que está em jogo, aqui, ameaçado pelas emissões ilimitadas de CO2", ressaltou, antes de insistir que "não devemos mais tentar ganhar tempo, mas agir de forma corajosa".

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